Preços do Petróleo e Taxas de Juros
A alta do petróleo aumentou o medo de inflação puxada pela energia (alta generalizada de preços causada pelo encarecimento de combustíveis e eletricidade), o que reduziu a expectativa de cortes nas taxas de juros e pressionou o ouro. O ouro não paga juros (não gera rendimento), então costuma ficar menos atraente quando os juros estão altos. As compras de bancos centrais podem dar suporte ao metal. O banco central da China ampliou sua sequência de compras para 18 meses seguidos até março de 2026. Bancos centrais (instituições que controlam a moeda e os juros de um país) são os maiores detentores de ouro e costumam comprar para diversificar reservas (não depender de um único ativo) e reforçar a confiança na moeda. Eles adicionaram 1.136 toneladas, no valor de cerca de US$ 70 bilhões, em 2022, o maior volume anual já registrado, segundo o World Gold Council. O ouro muitas vezes se move ao contrário do dólar americano e dos títulos do governo dos EUA (Treasuries, papéis de dívida considerados muito seguros), e também pode andar contra ativos de risco, como ações. Os preços são influenciados por geopolítica (eventos e conflitos entre países), medo de recessão (queda da atividade econômica), taxas de juros e pelo dólar, porque o ouro é cotado em dólares.Estratégias com Opções e Volatilidade
Vimos o ouro cair para a região de US$ 4.800 à medida que a busca por proteção devido às tensões no Oriente Médio esfriou. Agora, o foco é o petróleo, que eleva o medo de inflação e do que bancos centrais podem fazer com as taxas de juros. Isso coloca traders de derivativos (contratos cujo preço depende de outro ativo) numa situação difícil, equilibrando risco geopolítico e decisão de juros. Com o petróleo West Texas Intermediate (WTI, referência do petróleo dos EUA) passando de US$ 140 por barril, a expectativa de inflação virou uma preocupação forte. O último CPI (índice de preços ao consumidor, uma medida de inflação) veio em 3,8%, acima da meta do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), reforçando a ideia de juros “altos por mais tempo”. Esse cenário aumenta o risco de comprar opções de compra (call, contrato que dá o direito de comprar um ativo por um preço definido) de ouro, já que ativos sem rendimento sofrem quando os juros sobem. Qualquer notícia sobre a possível extensão do cessar-fogo EUA-Irã pode causar oscilações fortes de preço, deixando o mercado difícil de prever. O fechamento do Estreito de Ormuz segue como um risco enorme, e qualquer piora pode fazer o ouro disparar de novo. Com essa incerteza, estratégias como comprar straddles ou strangles (operações com opções para tentar ganhar com um grande movimento de preço em qualquer direção) podem ser úteis. Não dá para ignorar a demanda constante de bancos centrais, destacada pela extensão das compras do PBoC (Banco Popular da China, o banco central do país) até o mês passado. Olhando a partir de 2025, lembramos as compras recordes de bancos centrais em 2022, e essa tendência acelerou conforme países reduzem dependência do dólar. Isso cria uma base de demanda, sugerindo que comprar opções de venda (put, contrato que dá o direito de vender um ativo por um preço definido) apostando numa grande queda pode ir contra uma força de longo prazo. No fim, muitos movimentos do ouro dependem do dólar, já que o ativo é cotado em dólares. A expectativa atual de juros altos por mais tempo mantém o dólar forte, o que pesa sobre o ouro. Traders devem acompanhar de perto o Dollar Index (DXY, índice que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas); uma alta acima de 107,00 pode abrir espaço para outra queda relevante nos futuros de ouro (contratos para comprar ou vender ouro numa data futura por um preço combinado).
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