Taxas e dados dos EUA
Os dados de preços de importação e exportação dos EUA chamaram pouca atenção. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, disse que as taxas de juros provavelmente ficarão como estão “por um bom tempo”, sem necessidade imediata de mudança. O mercado espera que o Banco da Inglaterra aumente os juros em 38 pontos-base até o fim do ano. (Pontos-base são uma forma de medir juros: 100 pontos-base = 1 ponto percentual.) A dependência do Reino Unido de importação de gás natural contribuiu para os preços de energia subirem para perto de 40%, embora a retomada do trânsito no Estreito de Ormuz (rota marítima importante para petróleo e gás) possa reduzir as expectativas de aumento de juros. A membro do BoE (Banco da Inglaterra) Megan Greene disse que continua preocupada com a pressão sobre os preços e que os efeitos de um choque de energia (alta brusca nos preços de energia) podem levar meses para aparecer. A seguir, o PIB (Produto Interno Bruto, medida do tamanho da economia) do Reino Unido deve subir de 0,0% para 0,1% na comparação mensal em fevereiro, enquanto os EUA focam nos pedidos de seguro-desemprego (número semanal de pessoas que pedem apoio por perderem o emprego) na semana que termina em 11 de abril. O GBP/USD foi negociado a 1,3573, acima do grupo de médias móveis simples (SMA, média do preço em um período) de 50, 100 e 200 dias perto de 1,3428. Foram citados suportes (regiões de preço onde a queda costuma reduzir) em 1,3490–1,3492 e 1,3428.Como o cenário mudou
Olhando para este período em 2025, o mercado era guiado por um Banco da Inglaterra mais duro com a inflação (hawkish: mais propenso a subir juros) diante de um choque de energia causado pelo conflito com o Irã. Esperava-se que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) mantivesse os juros como estão, o que apoiava uma alta do GBP/USD. Essa leitura se baseava na maior diferença de juros a favor do Reino Unido. A situação mudou muito no último ano, e essa operação já não é tão simples. A redução das tensões no Oriente Médio estabilizou os preços de energia, tirando o principal motivo da postura agressiva do BoE. A inflação do Reino Unido esfriou; os dados mais recentes do ONS (Office for National Statistics, órgão oficial de estatísticas do Reino Unido) mostram o CPI (Índice de Preços ao Consumidor, medida de inflação) em 2,8%, bem abaixo dos picos de 2025. Enquanto isso, a economia dos EUA foi mais forte do que se esperava, forçando o Fed a ser menos inclinado a cortar juros (menos dovish: menos favorável a reduzir juros) do que indicava a visão de 2025. O crescimento dos EUA no 1º trimestre de 2026 veio em 1,9%, e a inflação “núcleo” (core, que exclui itens muito voláteis como energia e alimentos) continua resistente, perto de 3,2% ao ano. Isso sustentou o dólar e reduziu a vantagem de juros que deveria favorecer a libra. Para quem opera derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo, como opções), isso significa que o tema saiu de apostas simples em diferença de política monetária para algo mais detalhado. A volatilidade implícita (estimativa do mercado para a oscilação futura, usada para precificar opções) no GBP/USD caiu em relação aos picos do ano passado, tornando opções compradas (posição que aposta em grande movimento) menos atraentes. Consideramos mais adequadas estratégias que ganham com preço andando de lado (range) ou com uma queda lenta do par. Nas próximas semanas, podemos considerar vender opções de compra fora do dinheiro (out-of-the-money, com preço de exercício acima do preço atual) em GBP/USD para receber o prêmio (valor pago pela opção), apostando que o par terá dificuldade de subir sem um novo gatilho forte. Essa estratégia se beneficia do ambiente atual, em que nenhum dos dois bancos centrais parece com pressa de fazer uma mudança grande. Fique de olho nos próximos pedidos de seguro-desemprego nos EUA e nos dados de vendas no varejo do Reino Unido para sinais de diferença no desempenho econômico que possam trazer de volta a volatilidade.
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