Perspectiva de Crescimento Regional
Como hidrocarbonetos (petróleo e gás) representam uma parte grande das economias do Golfo, é esperada uma queda do PIB regional (tamanho da economia) neste ano. Turismo, transporte e mercado imobiliário (compra, venda e aluguel de imóveis) também estão sob pressão. As condições macroeconômicas (quadro geral da economia: crescimento, inflação, juros e contas públicas) no Golfo continuam fortes, sustentadas por grandes fundos soberanos (fundos de investimento controlados pelo governo, alimentados por receita do petróleo). Essas reservas devem ajudar as economias a absorver o choque. No curto prazo, governos podem redirecionar gastos para apoio interno. Isso pode reduzir o fluxo de investimento estrangeiro, já que o risco geopolítico (risco ligado a conflitos e tensões entre países) segue alto. Com a interrupção contínua no Estreito de Ormuz, vemos forte instabilidade nos mercados de energia, criando oportunidades para traders de derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de um ativo, como petróleo). Os contratos futuros de Brent (acordos para comprar/vender petróleo Brent numa data futura por um preço definido) agora estão acima de US$ 115 por barril, refletindo um choque de oferta que tirou do mercado quase 18 milhões de barris por dia de capacidade de exportação. Acreditamos que usar estratégias com risco limitado, como opções com perda máxima definida (opções: contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar/vender por um preço), por exemplo um “bull call spread” (compra de uma call e venda de outra call mais cara para reduzir custo e limitar risco) em futuros de Brent, é uma forma prudente de buscar alta adicional limitando perdas.Estratégia de Trading entre Mercados
O mercado está diferenciando claramente as economias do Golfo, favorecendo as que conseguem contornar parcialmente o estreito. Uma estratégia possível nas próximas semanas é um “pair trade” (operação que compra um ativo e vende outro para ganhar com a diferença de desempenho), com compra de futuros do índice Saudi Tadawul All Share Index (TASI) e venda do Kuwait Premier Market Index. Os dados apoiam essa visão: o índice do Kuwait caiu mais de 15% desde o início de 2026, enquanto o TASI resistiu melhor devido a rotas alternativas de exportação da Arábia Saudita e ao benefício dos preços mais altos do petróleo. A volatilidade implícita (estimativa de oscilação futura embutida no preço da opção) nas opções de petróleo disparou para níveis que não víamos há anos, tornando posições simples de compra de call ou put (call: aposta de alta; put: aposta de queda) muito caras. Vender esse “prêmio” (o preço pago/recebido pela opção) alto é tentador, mas o risco de uma escalada ou redução súbita do conflito torna isso uma aposta perigosa. Por isso, focamos em “spreads” (combinações de opções que limitam custo e risco) para reduzir o efeito da perda de valor com o tempo (decaimento da opção) e diminuir o custo de entrada. Esta situação parece mais grave do que o “prêmio de risco geopolítico” (aumento de preço por medo de eventos políticos) visto em 2019 após ataques a instalações de petróleo sauditas. Diferente daquele episódio, que foi temporário, isto é uma interrupção física prolongada de um gargalo global crítico (ponto de passagem estreito que limita o fluxo). A variável principal continua sendo a reabertura do estreito, e qualquer notícia sobre isso provavelmente causará um movimento forte de preço para cima ou para baixo.
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