Repasse da energia para a inflação na Zona do Euro
No nível da UE, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defende trocar vetos nacionais em política externa por votação por maioria qualificada (regra em que a decisão passa com uma maioria definida de países e população, em vez de exigir unanimidade). A proposta é politicamente controversa, inclusive em países que normalmente apoiam uma integração maior da UE. Estamos acompanhando de perto os números finais do CPI de março da Zona do Euro, pois serão o primeiro conjunto completo de dados a refletir o choque de energia causado pelo conflito no Estreito de Hormuz (passagem marítima estratégica por onde passa muito petróleo). Como o petróleo Brent (referência internacional de preço do petróleo) subiu para mais de US$ 115 por barril no fim de março, estimativas iniciais indicam que a inflação cheia (índice geral, incluindo energia e alimentos) pode subir bem acima dos 3,1% vistos em fevereiro de 2026, aumentando a oscilação do mercado. Operadores devem considerar se preparar para uma surpresa nos dados, já que um número acima do esperado pode pressionar o BCE (Banco Central Europeu) a agir. A mudança política recente na Hungria reduz um obstáculo importante para ativos em euro (investimentos precificados em euro). A possível liberação do empréstimo de €90 bilhões para a Ucrânia sinaliza mais união política na UE, reduzindo um risco de cauda (risco raro, mas com grande impacto) que pesava sobre a moeda única. Observando o desempenho do euro, ele teve dificuldade para passar por níveis importantes de resistência (faixas de preço onde o ativo costuma parar de subir) no fim de 2025, quando o veto da Hungria era uma ameaça constante. No longo prazo, a pressão por maioria qualificada em política externa é um fator estruturalmente positivo que operadores de derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como opções e futuros) devem monitorar. A ideia é evitar o travamento por um único país, que no passado criou incerteza no mercado sobre pacotes de ajuda e sanções. Embora o avanço seja lento, qualquer passo adiante reduz o prêmio de risco político (custo extra embutido nos preços por medo de instabilidade) presente em opções de euro de prazo mais longo (contratos com vencimento distante).Implicações para juros em euro e câmbio
Olhando para 2025, grande parte da narrativa do mercado foi dominada por atritos políticos na UE e pelo efeito negativo disso na confiança dos investidores. Agora, em abril de 2026, vemos um cenário diferente, em que destravar impasses políticos pode dar uma base de apoio ao euro. Porém, isso acontece ao mesmo tempo em que um novo choque de inflação puxado por energia, parecido com o de 2022, cria nova incerteza para a política monetária (decisões sobre juros e controle da inflação).
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