Risco geopolítico aumenta a procura por proteção
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os EUA começariam a bloquear navios que entrassem ou saíssem do Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA (órgão militar que coordena operações na região) disse que as operações direcionadas ao tráfego marítimo de e para portos iranianos começariam às 10h no horário do leste dos EUA (14:00 GMT) na segunda-feira. O dólar também ganhou apoio depois que os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, uma medida da inflação, ou seja, do aumento geral de preços) de março dos EUA reforçaram a ideia de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pode manter os juros altos por mais tempo. O Bureau of Labor Statistics (agência oficial de estatísticas de trabalho e preços) informou inflação anual de 3,3% em março, acima de 2,4% em fevereiro, e dentro do esperado. A inflação mensal subiu 0,9% após 0,3% antes. O núcleo do CPI (inflação “sem itens muito voláteis”, como energia e alimentos, usada para ver a tendência) aumentou 0,2% no mês e 2,6% no ano. A presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, disse que o Fed manteria os juros sem mudança se a inflação continuar alta. Ela disse que um corte de juros poderia acontecer se o conflito com o Irã arrefecer rápido e os preços do petróleo caírem.Impactos no mercado e na variação do dólar
Com o DXY firme perto de 99,00, a tendência é de o dólar continuar forte. O fim das conversas EUA-Irã é um evento de “fuga de risco” (quando investidores evitam risco e buscam segurança) que aumenta a procura por dólar. Essa tensão entre países virou o principal foco do mercado. O bloqueio do Estreito de Ormuz quase certamente vai elevar o preço do petróleo e aumentar a oscilação dos mercados (mudanças rápidas de preços). Algo parecido aconteceu em 2019, quando ataques no Golfo de Omã fizeram o Brent (tipo de petróleo usado como referência internacional) subir mais de 4% em um único dia. Quem opera derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo, como opções e futuros) pode considerar estratégias que se beneficiem de energia mais cara e de um VIX mais alto. O VIX é o “índice do medo”, que mede a volatilidade esperada do mercado; historicamente, em grandes conflitos, ele pode passar de 30. A inflação alta nos EUA também sustenta um dólar forte porque mantém o Fed sem reduzir juros. O CPI de 3,3% torna improvável um corte de juros no curto prazo. Isso já ficou claro em 2022–2023, quando o Fed elevou os juros acima de 5%. Isso reforça a ideia de “juros altos por mais tempo”, o que torna mais sensato não apostar em um Fed mais “suave”. “Dovish” (suave) significa preferência por juros mais baixos; “hawkish” (duro) significa preferência por juros mais altos para conter a inflação. Isso aparece no mercado de futuros (contratos para negociar preços no futuro) de juros. Com esses dois fatores — risco geopolítico e Fed mais duro — o DXY pode continuar subindo. Embora 99,00 seja um nível importante, ainda está bem abaixo dos picos acima de 114 vistos no fim de 2022, quando o Fed estava no auge do ciclo de aperto (subida de juros). Isso sugere espaço para o dólar ganhar valor frente a moedas como o euro e o iene. Esse cenário é especialmente ruim para mercados emergentes, que sofrem com dólar forte e com a aversão a risco (quando investidores evitam ativos mais arriscados). É provável ver saída de capital dessas regiões, pressionando para baixo suas moedas e índices de ações. Opções de venda (put, contrato que ganha valor quando o preço cai) em ETFs (fundos negociados em bolsa) de grandes emergentes podem servir para proteção (hedge, reduzir risco) ou para apostar nessa queda. Crie sua conta real na VT Markets e comece a operar agora.
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