Dados de inflação e perspectiva do Fed
Dados dos EUA mostraram que o CPI de março subiu 3,3% na comparação anual, acima de 2,4% em fevereiro. CPI (Índice de Preços ao Consumidor) mede a variação dos preços de uma cesta de produtos e serviços. O núcleo do CPI (inflação “sem itens muito voláteis”, como alimentos e energia) aumentou de 2,5% para 2,6% ao ano, abaixo da previsão de 2,7%. As cotações do mercado indicam que a taxa dos Fed funds (a taxa básica de curto prazo definida pelo banco central dos EUA) deve ficar na faixa de 3,50%–3,75% até 2026, segundo o Prime Market Terminal (plataforma de dados de mercado). O sentimento do consumidor da Universidade de Michigan caiu de 53,3 para 47,6, enquanto as expectativas de inflação para 12 meses subiram de 3,8% para 4,8%. O Índice do Dólar dos EUA (DXY, medida do dólar contra uma cesta de moedas) caiu 0,13%, para 98,66, perto da mínima de quatro semanas. O ouro encontrou resistência em US$ 4.800; uma queda abaixo de US$ 4.750 pode mirar US$ 4.700 e as médias móveis simples (SMA, média do preço em um período) de 20 e 100 dias em US$ 4.674–US$ 4.662. Já acima de US$ 4.800, o preço pode voltar a mirar US$ 4.857 e depois US$ 4.900. O foco imediato é a disputa entre um dólar mais fraco e uma inflação persistente, que mantém o Fed sem cortar juros. A queda do dólar perto da mínima de quatro semanas em 98,66 dá força ao ouro, mas o CPI de 3,3% reforçou a expectativa de juros altos por mais tempo. Isso aumenta a incerteza e torna mais atraentes estratégias com opções (contratos que dão o direito, não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço definido) que se beneficiam da volatilidade (oscilações fortes), como o straddle (comprar uma opção de compra e uma de venda com o mesmo preço e vencimento, apostando em grande movimento para qualquer lado), antes das conversas EUA-Irã. Vemos chance de uma alta forte se as negociações no Paquistão falharem ou se o Estreito de Ormuz ficar fechado. A história mostra que aumentos de tensão no Oriente Médio, como em 2020, podem adicionar um “prêmio de risco” (alta extra no preço por medo e incerteza) ao ouro quase de um dia para o outro. Com o sentimento do consumidor nos EUA em um nível muito baixo de 47,6, a demanda por porto seguro (busca por ativos considerados mais seguros em crise, como o ouro) segue forte, o que sugere comprar opções de compra (call, instrumento que ganha se o preço subir) ou spreads de call (combinação de calls para reduzir custo e limitar ganho) mirando rompimento acima de US$ 4.800.Cenário de queda e apoio de bancos centrais
Por outro lado, traders (participantes do mercado que fazem operações de curto prazo) não devem ignorar o risco de queda se as conversas derem certo e houver um cessar-fogo duradouro. A inflação teimosa de 3,3% lembra as pressões de preços persistentes de 2023, que forçaram o Fed a manter uma postura dura (hawkish, ou seja, mais inclinada a juros altos para conter a inflação) por mais tempo do que o mercado esperava. Como o ouro recentemente não conseguiu se sustentar acima do nível psicológico (um número “redondo” que costuma influenciar decisões) de US$ 4.800, comprar opções de venda (put, instrumento que ganha se o preço cair) mirando a faixa de US$ 4.700 é uma forma de se posicionar para um possível rali de “risk-on” (quando o mercado volta a buscar risco, favorecendo ações e moedas e reduzindo demanda por ouro). Além das manchetes geopolíticas, vale considerar a demanda constante de fontes oficiais. Dados recentes do primeiro trimestre de 2026 indicam que bancos centrais continuaram comprando de forma forte, absorvendo quedas relevantes de preço. Essa demanda institucional (de grandes instituições) cria um “piso” (região de sustentação) e sugere que vendas fortes rumo à região de US$ 4.660 podem durar pouco.
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