Déficit maior reforça a tendência de rendimentos mais altos
Esses dados fiscais (dados do governo sobre arrecadação e gastos) combinam com uma tendência mais ampla que estamos acompanhando. A dívida nacional dos EUA passou de US$ 36 trilhões recentemente, e o rendimento do título do Tesouro de 10 anos (taxa de referência muito usada no mercado) já subiu de 4,2% para 4,45% no último mês. Um déficit maior aumenta a pressão e reforça a ideia de custo de dívida mais alto. Para traders de derivativos (produtos financeiros cujo preço depende de outro ativo, como juros, ações ou moedas), isso aponta para estratégias de queda em renda fixa (investimentos ligados a juros, como títulos). Estamos considerando posições vendidas (apostar na queda do preço) em contratos futuros (acordos para comprar ou vender no futuro por um preço definido) de títulos do Tesouro, como o T-Note de 10 anos (ZN), ou comprar opções de venda (put: um tipo de opção que ganha valor quando o preço cai) em ETFs (fundos negociados em bolsa) focados em títulos. A pressão básica de mais oferta de dívida do governo apoia essa visão nas próximas semanas. Esse cenário de rendimentos em alta também pode atrapalhar a bolsa de valores, porque juros maiores tornam ações menos atraentes em comparação com títulos. Opções de venda (puts) de proteção em índices importantes como o S&P 500 ou o Nasdaq 100 podem ser úteis para proteção (hedge: reduzir o risco de perdas) contra uma possível queda. A volatilidade (o quanto o preço oscila), medida pelo VIX (índice que estima o “medo” do mercado com base em opções do S&P 500), também pode subir, criando oportunidades em futuros ou opções do VIX. Voltando a 2025, vimos como a inflação persistente (“grudada” em nível alto), em parte alimentada por gastos do governo, fez o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manter uma postura mais dura (hawkish: prioriza combater a inflação, mantendo juros altos) por mais tempo do que muitos esperavam. O mercado aprendeu então que a política fiscal (gastos e impostos do governo) afeta diretamente a política monetária (decisões do banco central sobre juros e dinheiro). Esse déficit de março sugere que a inflação pode continuar pressionando, limitando a capacidade do Fed de cortar juros.Força do dólar em um cenário de rendimentos mais altos
No mercado de moedas, rendimentos mais altos podem fortalecer o dólar americano ao atrair investimento estrangeiro. O Índice do Dólar (DXY, uma medida do dólar contra uma cesta de moedas) já mostrou força, perto de 105,50. Vemos opções de compra (call: um tipo de opção que ganha valor quando o preço sobe) do dólar contra moedas de países com bancos centrais mais “leves” (dovish: mais dispostos a cortar juros) como uma operação cada vez mais interessante.
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