Inflação de março fica dentro do esperado
A inflação de março veio exatamente como se esperava, em 0,9%. Isso confirma que os preços altos não devem cair rápido. Com isso, fica muito provável que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) continue elevando os juros de forma forte e rápida. Com a taxa Fed funds (taxa básica de juros dos EUA, usada como referência no mercado) já em 6,00%, o mercado agora considera pelo menos mais dois aumentos antes do verão. Há muita negociação de opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço definido) ligadas à SOFR (taxa de juros de curto prazo usada como referência em vários contratos), apostando que os juros podem ir para 6,50% ou mais. Vender contratos futuros do Tesouro (acordo para negociar, no futuro, títulos do governo dos EUA a um preço combinado) continua sendo uma estratégia importante para quem opera nesse cenário. Esse ambiente de juros altos prejudica a bolsa, porque encarece empréstimos e afeta mais os setores de crescimento (empresas que dependem de crédito e de expectativa de lucro futuro). O VIX (índice que mede a volatilidade, ou seja, o “medo” e a incerteza do mercado) já passou de 25, um nível que não víamos de forma constante desde a turbulência de 2025. A expectativa é que traders continuem comprando opções de venda, chamadas puts (contratos que ganham valor quando o preço cai), em índices como o S&P 500 (índice com 500 grandes empresas dos EUA) para se proteger de novas quedas. O dólar dos EUA está se fortalecendo, porque os juros nos EUA estão bem mais altos do que na Europa ou no Japão. O índice do dólar (medida do valor do dólar contra uma cesta de moedas) chegou ao maior nível em mais de um ano. A visão é que manter posição comprada em dólar (aposta de alta no dólar) contra o euro e o iene pode continuar dando resultado nas próximas semanas. A origem dessa inflação também importa: o petróleo WTI (tipo de petróleo de referência nos EUA) passou de US$ 110 por barril no mês passado por novas preocupações com oferta (risco de faltar produto no mercado). Esse choque de energia é um dos principais fatores, e opções de compra, chamadas calls (contratos que ganham valor quando o preço sobe), em contratos futuros de petróleo estão sendo usadas para apostar em preços ainda mais altos. Essa tendência, junto com salários ainda subindo perto de 5%, indica que a inflação pode estar ficando mais difícil de reduzir.Fatores da inflação e posicionamento de mercado
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