Foco do Federal Reserve na Inflação Núcleo
Espera-se que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) foque em possíveis efeitos indiretos do aumento da energia, que podem aparecer na inflação núcleo depois de alguns meses. Não se espera que o relatório do CPI mude muito o que o mercado já prevê para as decisões do Fed, a menos que a inflação venha bem acima do esperado. Uma inflação mais alta também pode afetar a política interna dos EUA, com alguns republicanos contra a guerra e contra o aumento do preço da gasolina. Isso pode aumentar a pressão sobre o presidente Donald Trump para buscar um acordo de paz. Com a inflação em destaque, pode ser mais difícil manter nova fraqueza do dólar no curto prazo. Os acontecimentos no Oriente Médio ainda são descritos como o principal fator para os movimentos do USD (dólar dos EUA) no curto prazo.Fatores do Mercado Hoje e Ideias de Operação
Embora o Estreito de Ormuz esteja mais calmo, agora há riscos contínuos por confrontos navais no Mar do Sul da China. Essas tensões sustentam o dólar como ativo de proteção (um “porto seguro”, procurado em momentos de medo), parecido com o que os riscos no Oriente Médio faziam antes. Dados recentes da U.S. Maritime Administration (órgão do governo dos EUA ligado a transporte marítimo) mostram que os prêmios de seguro para navios na região subiram 5% no último trimestre, refletindo essa preocupação. Diferente da leve aceleração do CPI núcleo observada antes, o problema agora é uma inflação mais persistente, que demora a ceder. O relatório mais recente de março de 2026 mostrou a inflação núcleo firme em 3,1%, o que impede o Fed de indicar claramente uma mudança para uma postura mais “leve” (dovish, ou seja, mais favorável a reduzir juros). Isso mantém em dúvida a expectativa de cortes de juros no segundo semestre do ano. Isso ajuda a explicar por que o Índice do Dólar não está abaixo de 99,0 como naquele período. Hoje, o DXY está firme perto de 104,5. Essa força reflete o mercado apostando em juros dos EUA altos por mais tempo em comparação com outros países. Para quem opera derivativos (contratos cujo preço depende de outro ativo, como opções e futuros), esse cenário sugere se preparar para volatilidade (oscilações fortes de preço) contínua, e não para uma direção clara. Pode haver valor em estratégias como “strangle comprado” (compra de uma opção de compra e uma opção de venda, para ganhar se o preço mexer bastante para qualquer lado) em pares como EUR/USD, que podem se mexer com uma surpresa do Fed ou com piora geopolítica. O índice de volatilidade de moedas da Cboe (EUVIX, um indicador de expectativa de oscilação) subiu para 7,8, mostrando que o mercado espera mais movimentos irregulares. Com os dados de inflação dos EUA ainda altos, uma operação tática pode ser comprar opções de compra (calls, um contrato que dá o direito de comprar a um preço definido) de curto prazo do Invesco DB U.S. Dollar Index Bullish Fund (UUP, um ETF, fundo negociado em bolsa, que busca acompanhar o dólar). Isso dá ganho se o dólar subir caso o Fed adie cortes de juros, enquanto limita a perda ao valor pago no prêmio (o preço da opção). Com o DXY testando resistência em 104,5 (uma faixa onde o preço costuma ter dificuldade para passar), essa posição se beneficiaria se houver rompimento rumo a 105,50, máxima vista no fim do ano passado.
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