
Pontos-chave
- Os contratos futuros de gás natural dos EUA caíram para perto de US$ 2,98 por MMBtu na sexta-feira, mas ainda indicam alta semanal de mais de 4%. (MMBtu é uma unidade de energia: “milhão de BTU”, usada para precificar gás.)
- O risco de oferta de GNL (gás natural liquefeito, isto é, gás resfriado e transformado em líquido para transporte por navio) segue alto, porque Ras Laffan, da QatarEnergy, reinicia devagar, e o Estreito de Ormuz continua fechado.
- No gráfico, NG é negociado a 3,150, queda de 0,024 (-0,76%), com MA5 3,170 e MA10 3,134 como referências de curto prazo. (MA é “média móvel”: a média do preço dos últimos 5 ou 10 dias, usada para ver a direção da tendência.)
Os futuros de gás natural dos EUA recuaram para cerca de US$ 2,98 por MMBtu na sexta-feira, devolvendo parte da alta da sessão anterior. Mesmo com a queda, o mercado ainda mantém alta semanal de mais de 4%, sinal de que os traders (participantes que compram e vendem no curto prazo) não abandonaram o “prêmio de risco” (um valor extra no preço por medo de problemas) ligado ao conflito no Oriente Médio e às preocupações com a oferta de GNL.
É um mercado em duas frentes. O gás nos EUA reage mais aos estoques domésticos e ao clima, mas o estresse no GNL global pode elevar o sentimento por causa de manchetes e sinais de preços internacionais. Essa mistura costuma gerar pregões voláteis: o preço cai com notícias de política e depois estabiliza quando o medo de falta de oferta volta.
Se as notícias continuarem tensas e os estoques ficarem menores do que o esperado, a compra ao longo da semana pode continuar, mesmo com recuos diários. Se os traders ganharem confiança de que rotas de oferta e operações de GNL voltam ao normal, o mercado pode devolver parte da alta semanal e voltar a focar nos fatores domésticos.
Washington sinaliza alívio, enquanto o mercado precifica risco de oferta
O governo Trump disse que avalia medidas para combater a alta dos preços de energia ligada ao conflito. O mercado leu isso como um limite no curto prazo para movimentos exagerados, especialmente se os EUA usarem ferramentas financeiras, de logística (organização do transporte) ou de segurança para reduzir dificuldades em frete e seguro em rotas importantes.
Ainda assim, medidas de governo costumam agir primeiro sobre o petróleo e gargalos de transporte (pontos onde o fluxo trava). O gás natural pode seguir firme se a oferta de GNL parecer apertada, porque o mercado teme falta de cargas substitutas e escassez regional, mesmo quando o gás interno dos EUA não consegue preencher a lacuna de imediato.
Se Washington anunciar ações práticas que reduzam rápido o risco no transporte, o gás pode ficar “de lado” (oscilando dentro de uma faixa) e ter dificuldade para avançar. Se as ações demorarem, ou se o mercado desconfiar da execução, o prêmio de risco pode continuar.
Incerteza em Ras Laffan mantém a preocupação com o GNL
O mercado volta sempre ao Catar. A incerteza sobre a retomada total das operações em Ras Laffan, da QatarEnergy (o maior centro de exportação de GNL do mundo), mantém o medo de falta de oferta alto, ainda mais com o Estreito de Ormuz fechado. Reportagem da Reuters indica que o reinício pode levar pelo menos duas semanas e depois mais pelo menos duas semanas para chegar à capacidade total quando a “liquefação” (processo de resfriar o gás até virar líquido) recomeçar.
Isso importa porque GNL é uma disputa de tempo. Mesmo uma parada curta pode reduzir a disponibilidade de cargas para entrega imediata, aumentar o custo do transporte e forçar compradores a competir por alternativas. Quanto mais tempo a parada durar, mais pode afetar preços na Europa e na Ásia, o que volta a alimentar o sentimento global de risco no setor de energia.
Se Ras Laffan reabrir cedo e Ormuz reabrir, a tensão no GNL pode diminuir e tirar parte do suporte ao gás dos EUA. Se o fechamento se prolongar e a volta atrasar, o mercado pode continuar precificando maior volatilidade (oscilações mais fortes) e níveis de suporte mais firmes, mesmo que a oferta nos EUA siga grande.
Retirada de estoques e clima reajustam a demanda no curto prazo
Os fatores internos ainda são os principais para o preço nos EUA. Uma retirada de estoque maior que o esperado sustentou preços, e previsões de clima mais quente também indicaram surpresas de demanda no curto prazo. A EIA informou uma retirada de 132 bilhões de pés cúbicos (bcf) na semana encerrada em 27 de fevereiro, acima do esperado segundo a Reuters. (EIA é o órgão de estatísticas de energia dos EUA; bcf é uma medida de volume.)
Agora o mercado precisa equilibrar duas forças que costumam se enfrentar. Retiradas de estoque reduzem a “folga” de oferta no curto prazo, mas previsões mais quentes podem reduzir a demanda por aquecimento e diminuir as próximas retiradas. Essa disputa costuma limitar a continuidade do movimento e aumentar a chance de o preço voltar para perto da média.
Se os próximos relatórios da EIA continuarem mostrando retiradas perto do topo do que o mercado esperava, o gás pode se manter sustentado mesmo com períodos mais quentes. Se o clima ficar claramente ameno e as retiradas caírem rápido, o preço pode escorregar, porque o mercado passa a enxergar um fim de temporada com oferta mais folgada.
Gráfico do gás natural mostra estabilização após um ajuste forte
O gás natural (NG) é negociado perto de 3,15, com queda de cerca de 0,76%, enquanto os preços estabilizam após a forte venda que veio depois do salto para 5,70 no começo do ano.
O gráfico diário mostra que a alta forte de janeiro foi totalmente devolvida, e agora o mercado entra em uma fase de consolidação (andando de lado) perto da região de 3,10–3,20.
Pelo lado técnico, o ritmo está fraco. O preço fica perto da média móvel de 10 dias (3,13) e um pouco abaixo da média de 20 dias (3,30), enquanto a média de 30 dias (3,76) segue bem mais alta e em queda. (Médias móveis ajudam a ver se o preço está acima/abaixo do nível “médio” recente.)

A média móvel de 5 dias (3,17) está ficando plana, sugerindo que a força de queda pode estar perdendo intensidade, mas ainda sem virar uma alta clara.
O suporte imediato fica em 3,00–3,10, faixa em que os preços começaram a estabilizar após a queda de fevereiro. Se romper abaixo, pode abrir espaço para nova queda até 2,80–2,90, que antes funcionou como base (zona onde o preço parava de cair).
Na alta, a primeira resistência (zona onde o preço costuma encontrar dificuldade para subir) aparece em 3,30–3,40, seguida por resistência mais forte em 3,70–3,80, onde está a média de 30 dias.
No geral, o gás natural parece preso em uma faixa no curto prazo, tentando formar uma base após a correção forte do pico de janeiro. Um movimento consistente acima de 3,40 seria necessário para sinalizar possível recuperação. Se não conseguir ficar acima de 3,00, pode voltar a pressão vendedora.
O que os traders devem acompanhar agora
Acompanhe anúncios concretos do governo sobre medidas para preços de energia, porque isso pode mudar o sentimento rápido. Depois, monitore atualizações sobre o risco de navegação em Ormuz e o prazo de reinício de Ras Laffan, porque isso define se a tensão no GNL diminui ou piora.
Por fim, mantenha o próximo relatório de estoques da EIA no radar após a retirada de 132 bcf, porque outra surpresa para cima pode mudar o tom da semana, mesmo que o contrato do mês mais próximo (o contrato com vencimento mais perto) siga oscilando perto de US$ 2,98 por MMBtu.
Perguntas frequentes
- Por que o gás natural dos EUA pode cair no dia, mas ainda subir na semana?
O movimento diário costuma reagir a manchetes e ao posicionamento (como os participantes estão comprados ou vendidos), enquanto a semana reflete a história maior. Aqui, o preço caiu para perto de US$ 2,98 por MMBtu na sexta, mas manteve alta semanal acima de 4%. Traders podem realizar lucro (vender após subir) sem abandonar o tema de risco de oferta. - Como um conflito no Oriente Médio influencia o gás natural dos EUA se os EUA produzem seu próprio gás?
O preço nos EUA ainda reage ao estresse global de GNL. Se a oferta no exterior aperta, compradores internacionais podem pagar mais por cargas e mudar rotas. Isso pode aumentar o prêmio de risco em vários mercados de energia, mesmo que os EUA estejam bem abastecidos internamente. - Por que a planta de Ras Laffan, no Catar, importa para traders fora da região?
Ras Laffan é central para a oferta global de GNL. Se o prazo para voltar ao total ficar incerto, compradores temem falta de produto. Esse medo costuma aumentar a volatilidade e sustentar preços, especialmente com o Estreito de Ormuz fechado e o mercado precificando uma interrupção mais longa. - O que “medidas para combater a alta dos preços de energia” обычно significa para o mercado?
Em geral, significa que o governo pode usar regras e ações práticas para reduzir a pressão de preços, como diminuir dificuldades no transporte marítimo ou melhorar o fluxo de oferta. Mesmo a conversa pode esfriar compras por impulso, porque traders esperam alguma resposta quando os custos de energia sobem. - Como retiradas de estoque mexem no preço do gás natural?
Estoque mostra quão apertada está a oferta em relação à demanda. Uma retirada maior do que a esperada indica consumo mais forte, oferta mais fraca, ou os dois. Isso pode sustentar o preço mesmo com recuo no intradia (dentro do mesmo dia), porque muda as contas do equilíbrio no fim da temporada. - Por que a previsão do tempo pesa tanto no gás natural?
O clima muda a demanda rápido, principalmente para aquecimento e geração de eletricidade. Previsões mais quentes podem reduzir a demanda por aquecimento e diminuir retiradas futuras. Previsões mais frias fazem o contrário. Por isso o preço pode oscilar mesmo quando a história geral do mercado não muda.
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