Os riscos de abastecimento se intensificam em todo o Oriente Médio

by VT Markets
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Mar 3, 2026

Principais pontos

  • Os preços do petróleo subiram porque ataques dos EUA e de Israel contra o Irã afetaram a infraestrutura de energia no Oriente Médio (instalações e sistemas usados para produzir e transportar energia).
  • Ataques a navios-tanque (navios que carregam petróleo) e a continuidade do fechamento do Estreito de Ormuz estão aumentando a expectativa de falta de oferta (menos petróleo disponível no mercado).
  • O Iraque já cortou quase metade da produção de petróleo por causa de problemas nas exportações (vendas para outros países).
  • Propostas de escolta naval dos EUA (navios militares acompanhando navios comerciais) podem ajudar a estabilizar rotas, mas ainda não recuperaram a confiança do mercado.

Os preços do petróleo subiram na quarta-feira, pois o aumento do conflito militar entre Estados Unidos, Israel e Irã interrompeu o fluxo de energia no Oriente Médio.

O petróleo Brent (referência internacional de preço) subiu cerca de 1,4% para US$ 82,53 por barril, depois de fechar na sessão anterior no maior nível desde janeiro de 2025. O West Texas Intermediate, ou WTI (referência de preço do petróleo dos EUA), avançou para perto de US$ 75,37, no fechamento mais forte desde junho.

As altas mostram a preocupação de que as interrupções na oferta da região piorem se o conflito continuar a danificar a produção e a infraestrutura de exportação (portos, terminais e dutos usados para enviar petróleo).

Rotas de exportação sob pressão

O Estreito de Ormuz segue como o principal ponto de pressão do mercado global de energia.

Forças iranianas atacaram navios-tanque que passavam pela via marítima, praticamente parando o tráfego pelo quarto dia seguido. Cerca de um quinto do petróleo mundial e do gás natural liquefeito (GNL, gás resfriado até virar líquido para facilitar o transporte) passa pelo Estreito. Por isso, até uma parada temporária pesa na cadeia global de abastecimento (o caminho do produto até chegar aos compradores).

O conflito já levou produtores e empresas de transporte marítimo a rever a logística (planejamento de rotas, prazos e custos de transporte) na região.

Iraque reduz produção com canais de exportação fechados

O Iraque, segundo maior produtor de petróleo bruto da OPEP (grupo de países exportadores de petróleo), reduziu a produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia por causa de pouca capacidade de armazenamento (limite para guardar petróleo) e rotas de exportação bloqueadas.

Autoridades alertaram que, se as exportações não voltarem em breve, quase 3 milhões de barris por dia podem ser totalmente paralisados em poucos dias.

Uma queda assim apertaria a oferta global (menos petróleo no mundo), num momento em que o risco geopolítico (perigo ligado a conflitos entre países) já está alto.

Escoltas militares podem estabilizar o transporte marítimo

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a Marinha dos EUA pode começar a escoltar navios-tanque pelo Estreito de Ormuz, se necessário, para retomar o fluxo do comércio.

Washington também orientou a US International Development Finance Corporation (agência do governo dos EUA que apoia projetos e investimento) a oferecer seguro contra risco político (seguro para perdas causadas por decisões de governo, guerra ou sanções) e garantias financeiras (promessa de pagamento caso haja prejuízo) para o transporte marítimo no Golfo.

Mesmo com essas medidas, o mercado segue cauteloso. Donos de navios e analistas questionam se só a proteção militar bastará para recuperar a confiança.

Análise técnica

Os preços do petróleo seguem altos, com UKOUSD (Brent) perto de US$ 82,40, mantendo-se próximo das máximas depois de uma forte alta desde a mínima de dezembro, em torno de US$ 58,96. No gráfico diário (visão de preço por dia), a estrutura mostra tendência de alta: máximas mais altas e mínimas mais altas desde o início do ano (sinal clássico de mercado em alta).

Indicadores de força do movimento (métricas que ajudam a avaliar se a alta ou a baixa tem “energia”) seguem apontando para cima. As médias móveis de 5 dias (77,52) e 10 dias (74,56) (média do preço dos últimos dias para mostrar a direção da tendência) sobem com força. Já as médias de 20 dias (71,65) e 30 dias (70,31) ficam bem abaixo do preço atual e também sobem. Essa distância entre o preço e as médias mais longas mostra uma alta forte após o rompimento (quando o preço passa um nível importante) acima de US$ 80, um nível psicológico (valor “redondo” que costuma atrair atenção e ordens).

A resistência imediata (zona onde o preço costuma ter dificuldade de subir) fica perto de US$ 85,40, onde a última alta perdeu força. Um rompimento claro acima pode levar o preço a US$ 87,50. Na queda, o primeiro suporte (zona onde o preço tende a parar de cair) está em US$ 80,00–US$ 81,00, seguido de um suporte mais forte em US$ 75,00–US$ 77,00, onde as médias móveis de curto prazo ficam próximas. Enquanto o preço ficar acima de US$ 80, o cenário de curto prazo segue positivo, mas a alta recente pode abrir espaço para consolidação (fase de “andar de lado” antes do próximo movimento).

Compradores globais buscam oferta alternativa

Com a incerteza nas rotas de transporte do Oriente Médio, grandes países importadores de energia começaram a buscar alternativas. Índia e Indonésia procuram cargas substitutas, enquanto algumas refinarias chinesas (instalações que transformam petróleo bruto em combustíveis) reduziram a operação ou anteciparam manutenções.

Enquanto isso, a Aramco, da Arábia Saudita (empresa estatal de petróleo), tenta redirecionar parte das exportações pelo Mar Vermelho para evitar o Estreito de Ormuz.

Essas mudanças mostram o tamanho do problema na logística global de energia.

Perguntas frequentes

  1. Por que os preços do petróleo estão subindo?
    Porque há interrupções na oferta ligadas ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Ataques a infraestrutura de energia e a rotas de transporte aumentaram o medo de falta de petróleo no mercado mundial.
  2. Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para o mercado de petróleo?
    O Estreito concentra cerca de 20% dos embarques globais de petróleo e de GNL (gás natural liquefeito). Qualquer interrupção ali pode mexer muito com a oferta de energia e com os preços.
  3. Quanto o Iraque já cortou da produção?
    O Iraque reduziu a produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia por limites de armazenamento e rotas de exportação bloqueadas. Autoridades dizem que a produção pode cair mais se as exportações não voltarem.
  4. Escoltas navais dos EUA podem reabrir as rotas?
    Podem ajudar a proteger navios-tanque e melhorar a confiança no transporte. Ainda assim, analistas não têm certeza se só a proteção militar será suficiente para normalizar o tráfego.
  5. Como compradores globais estão reagindo?
    Vários países buscam novas fontes. Índia e Indonésia avaliam rotas e fornecedores, enquanto algumas refinarias chinesas ajustam a operação por causa da incerteza na oferta.

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