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Tommy Wu, do Standard Chartered, revisa as perspectivas de Taiwan para 2026: petróleo e GNL mais caros elevam a inflação e freiam o crescimento

by VT Markets
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Apr 1, 2026
O Standard Chartered revisou sua projeção para Taiwan em 2026 por causa dos preços mais altos do petróleo e do GNL (gás natural liquefeito, ou seja, gás resfriado e transformado em líquido para ser transportado), ligados às tensões no Oriente Médio, que estão aumentando os custos de importação. O banco agora prevê inflação do CPI (índice de preços ao consumidor, que mede a variação dos preços no varejo) de 2,1%, acima de 1,5%. Também reduziu sua projeção de crescimento do PIB (produto interno bruto, a soma de tudo o que o país produz) em 2026 para 7,6%, ante 8,0%. O banco espera que os preços mais altos de energia e de insumos industriais (materiais e componentes usados na produção) enfraqueçam a demanda global e reduzam o crescimento das exportações de Taiwan.

Principais implicações macroeconômicas do cenário para Taiwan

O cenário aponta possíveis efeitos na demanda por eletrônicos de consumo, enquanto a demanda ligada à IA (inteligência artificial) deve ser menos afetada no curto prazo. Também afirma que um período prolongado de energia mais cara pode reduzir a demanda por semicondutores de Taiwan (chips usados em aparelhos eletrônicos). Sobre política monetária (decisões do banco central sobre juros e dinheiro na economia), o banco espera que o Banco Central de Taiwan mantenha a taxa básica em 2,0% pelo resto do ano. Também destaca um risco condicionado: alta de juros já em junho se o preço do petróleo subir muito nas próximas semanas. Estamos ajustando nossas estratégias para considerar a alta do custo de energia e o efeito disso na economia de Taiwan. Com o petróleo passando de US$ 95 por barril e subindo 15% em pouco mais de um mês, a projeção de 2,1% de inflação parece mais provável. Essa pressão de estagflação (inflação mais alta com crescimento mais lento) torna o cenário difícil. Agora, nosso foco principal é a reunião de junho do Banco Central, porque o risco de alta de juros ficou mais claro. O CPI de março veio em 2,0% na comparação anual (ano a ano, isto é, contra o mesmo mês do ano anterior), acima de 1,6% em fevereiro, o que aumenta a pressão para o banco central agir. Isso torna interessantes os derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo) ligados a juros de curto prazo, que reagiriam a uma alta inesperada. Estamos mais cautelosos com o TAIEX (principal índice da bolsa de Taiwan) por causa da projeção de PIB menor, de 7,6%. Esperamos que opções de venda (put options, contratos que ganham valor quando o preço cai) no índice possam proteger (fazer hedge, isto é, reduzir perdas) contra uma possível queda causada por demanda global mais fraca por eletrônicos de consumo. A incerteza aparece no TAIEX VIX (índice que mede a volatilidade esperada, ou seja, o “vai e vem” de preços), que já subiu ao maior nível em seis meses.

Volatilidade como operação e resultados de proteção

Esse cenário sugere que a volatilidade (oscilações de preço) pode ser negociada. Como a próxima alta de juros é incerta, podemos ver movimentos fortes do mercado perto de novos dados de inflação e comunicados do banco central. Estratégias com opções que ganham com oscilações maiores, como straddles (compra simultânea de uma opção de compra e uma de venda no mesmo preço e vencimento, para lucrar com movimento forte para qualquer lado) em ETFs (fundos negociados em bolsa), valem consideração. Para o dólar taiwanês, o cenário ficou mais complexo, criando oportunidades em derivativos de câmbio (FX, mercado de moedas). Uma alta de juros em junho geralmente fortaleceria a moeda, mas a desaceleração das exportações pode pressionar para o lado oposto. Esse “cabo de guerra” deve aumentar a volatilidade no par TWD/USD (taxa entre dólar taiwanês e dólar americano) nas próximas semanas. Vimos algo parecido em 2022, quando os mercados reagiram ao choque de energia do conflito na Ucrânia. Na época, o banco central elevou juros para conter a inflação importada (aumento de preços vindo de produtos e energia comprados do exterior), mesmo com preocupações sobre o crescimento global. Esse histórico reforça a visão de que o banco central pode priorizar o controle da inflação se os preços de energia continuarem subindo.

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