Inflação vista como o principal risco
Schmid citou demanda forte, ganhos de produtividade (produzir mais com os mesmos recursos) e desemprego relativamente baixo como fatores que ajudam a economia dos EUA. Ele também disse que a força da economia americana não deve ser subestimada. Ele disse que o Fed não pode presumir que a inflação ligada ao aumento do preço do petróleo será transitória (temporária). Ele espera um pequeno efeito negativo no crescimento econômico se o petróleo permanecer caro. Ele disse que preços mais altos de energia vão aumentar a inflação, inclusive a inflação “núcleo” (core inflation, que exclui itens muito voláteis como alimentos e energia para mostrar a tendência de fundo). O principal risco agora é a inflação continuar perto de 3%, o que significa que não dá para ficar relaxado sobre para onde os preços vão. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor, medida de inflação) de março, de 3,4% em 12 meses, reforça essa preocupação, mostrando que a pressão nos preços não está caindo tão rápido quanto se esperava. Isso sugere que o banco central precisa manter ações de política para confirmar expectativas de inflação estáveis.Mercados ajustam a expectativa de corte de juros
Devemos repensar apostas em cortes de juros no curto prazo, porque o cenário pode ser de juros mais altos por mais tempo. Lembramos como, no fim de 2025, os mercados tinham colocado nos preços vários cortes para este ano, mas essa visão está sendo desfeita rapidamente. Opções (contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender) sobre futuros de SOFR (taxa de juros de referência do mercado dos EUA, baseada em operações garantidas) estão vendo mais demanda por posições que ganham se o Fed mantiver os juros estáveis durante os meses de verão. A força da economia dos EUA não deve ser subestimada, com demanda firme do consumidor e baixo desemprego ajudando bastante. O último relatório de empregos mostrou mais um ganho forte de 250.000 vagas, mantendo o desemprego em 3,7%. Essa força dá espaço para o Fed focar na inflação sem medo de uma queda imediata da economia. Não dá para assumir que a inflação causada pelo petróleo mais caro será apenas um problema temporário. Com o petróleo WTI (referência de preço do petróleo dos EUA) acima de US$ 92 por barril, alta de 15% nas últimas seis semanas, esses preços maiores de energia provavelmente vão aparecer também na inflação núcleo. Isso deve reduzir um pouco o crescimento, mas afetar de forma mais direta a inflação cheia (headline inflation, índice total que inclui todos os itens). Essa incerteza na política do Fed cria um ambiente favorável para mais volatilidade (oscilações de preços) nas próximas semanas. O índice VIX (medida da volatilidade esperada do mercado de ações dos EUA) já subiu para perto de 16, mostrando mais nervosismo sobre o próximo passo do Fed. Uma postura hawkish (mais dura, isto é, mais inclinada a manter ou subir juros para conter a inflação) também sugere um dólar mais forte, tornando mais populares as opções de compra (calls, que ganham se o preço subir) no índice DXY (índice do valor do dólar contra uma cesta de moedas).
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