Risco Geopolítico E Reação Do Mercado
Um relatório disse que Donald Trump estaria disposto a encerrar a campanha militar dos EUA contra o Irã mesmo que o Estreito de Hormuz continue em grande parte fechado. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse que poderia atingir empresas dos EUA na região a partir de 1º de abril. O dólar canadense segue fraco desde o início da guerra entre EUA-Israel e Irã e da alta dos preços de energia. O Canadá exporta petróleo, mas energia mais cara pode reduzir o consumo interno e desacelerar o crescimento. O PIB do Canadá (Produto Interno Bruto, o total do que o país produz) subiu 0,1% na comparação mensal em janeiro, após 0,2% antes. Estimativas indicam alta de 0,2% em fevereiro. O relatório de janeiro do Banco do Canadá projetou crescimento de 1,8%. O mercado está precificando pelo menos duas altas de juros do Banco do Canadá até o fim do ano. Nos EUA, as vagas de emprego do JOLTS (relatório do governo sobre vagas abertas e rotatividade no mercado de trabalho) caíram para 6,882 milhões em fevereiro, ante 7,24 milhões. A confiança do consumidor subiu para 91,8 em março, de 91 em fevereiro, acima da previsão de 87,9. Vemos o USD/CAD em forte tendência de alta, agora testando o nível de 1,4000 pela primeira vez desde o fim de 2025. Isso acontece mesmo com o DXY recuando um pouco, o que reforça a fraqueza do dólar canadense. O principal fator segue sendo o cenário geopolítico, com o petróleo WTI (um tipo de petróleo usado como referência nos EUA) tendo subido recentemente para mais de US$ 115 por barril, um nível que não se mantinha desde a crise de energia de 2022.Volatilidade De Opções E Diferença De Política Monetária
Embora petróleo caro normalmente ajude o dólar canadense (“Loonie”, apelido do CAD), o mercado está tratando essa alta como um custo extra para o consumidor global e canadense. Isso aparece em dados recentes: a taxa de desemprego do Canadá subiu para 6,1% no último relatório, reforçando sinais de fraqueza na economia. Isso complica a vida do Banco do Canadá, porque a inflação cheia (inclui energia) sobe, mas a inflação “núcleo” (que exclui itens mais instáveis, como energia) fica mais controlada, perto de 2,5%. Para quem opera derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo, como câmbio ou juros), essa tensão cria oportunidades no mercado de opções (contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo). A volatilidade implícita de 1 mês do USD/CAD (expectativa do mercado para o tamanho das oscilações) saltou para a máxima em 12 meses. Isso sugere que os traders esperam um movimento forte, mas não concordam sobre a direção, o que pode tornar estratégias como “straddle” comprado (comprar uma opção de compra e uma de venda com o mesmo vencimento e preço, apostando em grande movimento) interessantes para quem aposta em rompimento. O risco principal é o prazo de 1º de abril citado pelo Irã, que pode causar movimento brusco e aumentar a procura por “porto seguro” (ativos vistos como mais seguros), favorecendo o dólar. Acompanhamos sinais de diferença na política monetária entre o Banco do Canadá e o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Enquanto os mercados futuros (contratos para negociar no futuro) indicam 75% de chance de alta de juros do BoC até julho para conter a inflação puxada pelo petróleo, o caminho do Fed é menos claro com a queda nas vagas de emprego. Se o BoC hesitar por causa da economia interna fraca, o dólar canadense pode cair mais. Essa situação lembra o início de 2025, quando o medo de desaceleração global também pressionou o dólar canadense, fazendo a moeda perder, por um tempo, a ligação com o preço do petróleo. Naquela época, o CAD se recuperou quando esses medos diminuíram. É preciso cautela, porque os riscos geopolíticos atuais são maiores, e essa desconexão pode durar mais.
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