Perspectiva de inflação no curto prazo
O conflito no Oriente Médio é descrito como o principal fator que deve influenciar a inflação no curto prazo. Entre os possíveis efeitos indiretos (impactos que se espalham para outros preços), foram citadas pressão sobre alimentos e bens, ligada à falta de fertilizantes (produto usado na agricultura para aumentar a produção) e a problemas maiores na cadeia de suprimentos (rede de produção e transporte que leva produtos e insumos até as empresas e consumidores). As expectativas de preço de venda da indústria (o que as empresas esperam cobrar) teriam subido para o maior nível desde o início de 2023. As expectativas de inflação do consumidor (o que as pessoas acham que os preços vão subir) teriam aumentado para níveis vistos no começo dos anos 1990 e no primeiro semestre de 2022. O foco do Banco Central Europeu (BCE) é manter as expectativas de inflação perto de 2%. O relatório diz que o risco de alta mais ampla na inflação cheia e na inflação núcleo aumenta se a interrupção durar mais, e que os resultados dependem de como o conflito evolui.Precificação do mercado e volatilidade
Vemos a principal preocupação do BCE mudar para “ancorar” as expectativas de inflação (manter a visão do mercado e do público estável, perto da meta), que agora voltam a níveis parecidos com os da crise de energia de 2022. Com isso, o mercado de derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como juros ou commodities) está reduzindo rapidamente a aposta em cortes de juros ainda neste ano. Operadores estão se posicionando para um BCE mais duro com a inflação (mais propenso a manter juros altos) usando instrumentos como futuros de Euribor (contratos que refletem a taxa Euribor, usada como referência de juros na Europa). Isso lembra o que foi observado no fim de 2025, quando temores de oferta (risco de falta de produto) adiaram por um tempo a expectativa de queda de juros. A incerteza sobre quanto tempo o conflito vai durar sugere mais oscilação de preços no mercado nas próximas semanas. O VSTOXX, principal indicador de volatilidade (medida de quanto os preços variam) das ações da zona do euro, já subiu mais de 30% no último mês, indicando maior procura por proteção de carteira (reduzir perdas em investimentos). Isso sugere que comprar opções de venda (contratos que dão o direito de vender por um preço definido, usados como proteção quando o mercado cai) em índices principais ou usar derivativos de volatilidade (contratos ligados diretamente à volatilidade) pode ser uma forma de proteger contra risco de queda. Agora é preciso observar efeitos de “segunda rodada” (quando um choque inicial, como energia, começa a afetar outros preços de forma mais ampla, por exemplo via transporte e produção), porque o risco de esse choque de energia passar para os preços do núcleo é alto. Por exemplo, a pesquisa mais recente mostra que as expectativas de preços de venda da indústria estão no maior nível desde o início de 2023, refletindo preocupações com a cadeia de suprimentos e com custos de insumos (matérias-primas e componentes). Isso sugere avaliar posições em derivativos ligados a commodities agrícolas (produtos básicos como trigo e milho) ou a setores industriais muito sensíveis ao preço da energia.
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