Manchetes geopolíticas e demanda por dólar
O risco de novas manchetes sobre a disputa EUA-Irã continuou, com Trump dizendo que o Irã buscava um acordo, enquanto autoridades iranianas negaram conversas e rejeitaram a possibilidade de um acordo. Notícias sobre envio extra de tropas dos EUA também aumentaram a especulação sobre uma operação terrestre, mantendo firme a demanda por segurança no Dólar (busca por “porto seguro”, isto é, um ativo visto como mais protegido em momentos de incerteza). Na análise técnica (leitura do preço e de indicadores do gráfico), o ouro segue sob pressão após cair abaixo da média móvel simples (SMA, a média dos preços de um período) de 100 dias, e falhar perto dela nesta semana. O MACD (indicador de tendência e força do movimento) está negativo, o RSI (índice de força relativa, que mede se o preço está “esticado” para baixo ou para cima) está na casa dos 30 baixos. A resistência (região onde o preço costuma ter dificuldade para subir) fica perto de US$ 4.630 e US$ 4.820; o suporte (região onde o preço costuma segurar quedas) está em torno de US$ 4.380 e depois na SMA de 200 dias perto de US$ 4.120. US$ 5.000 só entra no radar após um fechamento diário acima de US$ 4.820. Estamos vendo o ouro ter dificuldade para ganhar força de verdade, já que o Dólar americano forte continua dominando os mercados. Embora os riscos geopolíticos envolvendo o Irã normalmente apoiem o ouro, agora eles estão principalmente reforçando o Dólar como porto seguro, com o Índice do Dólar (DXY, indicador que mede o Dólar contra uma cesta de moedas) atingindo uma nova máxima de 12 meses em 107,50 no começo desta semana. Isso cria um obstáculo importante para o metal precioso.Juros, inflação e posicionamento em ouro
O prazo de 6 de abril para o Estreito de Ormuz está causando tensão, mantendo os preços de energia altos e alimentando preocupações com inflação. Os contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro a um preço definido) do petróleo Brent ficaram acima de US$ 95 por barril, e essa pressão sustenta a visão de que bancos centrais globais precisam manter uma postura “hawkish” (mais dura, com viés para juros altos). Esse cenário dificulta o ouro sustentar uma alta. Olhando para a mudança de humor do mercado em 2025, continua a precificação de juros mais altos por mais tempo. A ferramenta CME FedWatch (indicador que estima probabilidades de decisões de juros a partir de preços de contratos) indica hoje 75% de chance de mais uma alta de 0,25 ponto percentual (25 pontos-base) pelo Fed até junho, bem diferente da esperança de cortes de juros que existia nesta época no ano passado. Com o rendimento (yield, retorno) do Treasury de 10 anos perto de 4,85%, o “custo de oportunidade” de manter ouro (o que você deixa de ganhar por não estar em outro ativo que rende juros) fica alto demais para muitos investidores. Para traders de derivativos (produtos financeiros cujo preço depende de outro ativo, como opções e futuros), isso sugere que qualquer repique no preço do ouro deve ser visto com cautela. A região perto da média móvel de 100 dias, em torno de US$ 4.630, é uma resistência importante onde a pressão vendedora provavelmente volta. Uma estratégia de comprar opções de venda (put options, contrato que pode dar o direito de vender a um preço definido e tende a ganhar valor quando o preço cai) em sinais de força perto desse nível pode funcionar nas próximas semanas. Se o ouro não conseguir segurar o suporte na mínima recente de cerca de US$ 4.380, isso reforça a tendência de baixa e pode acionar uma nova onda de vendas. Uma quebra clara abaixo desse nível abre caminho para a próxima zona importante de suporte na média móvel de 200 dias perto de US$ 4.120. Dado o cenário fundamental (fatores econômicos e notícias que afetam preço), faz mais sentido se preparar para novas quedas do que apostar em uma recuperação sustentada. Crie sua conta ao vivo na VT Markets e comece a operar agora.
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