Perspectiva da China após o conflito com o Irã
O papel da China como maior importadora de energia e como principal destino de cargas que passam pelo Estreito de Ormuz liga o país aos efeitos do conflito. O banco cita fatores que reduzem o impacto, como estoques altos de petróleo e acesso à energia russa, mas alerta para riscos maiores de piora via energia mais cara e demanda global mais fraca. O banco ajustou sua visão trimestral para um 1º trimestre mais forte e um 2º trimestre mais fraco. Também elevou as projeções de CPI (Índice de Preços ao Consumidor, uma medida de inflação) para 2026 e 2027, pois energia mais cara deve aumentar a inflação e adiar novos cortes de juros. Antes do conflito, a inflação do CPI chegou a 1,3% na comparação anual em fevereiro, a maior em dois anos. A inflação subjacente (inflação “sem itens muito voláteis”, como alimentos e energia, para mostrar a tendência) foi de 1,8% na comparação anual, a maior em sete anos, enquanto a deflação dos preços ao produtor (queda de preços na “porta da fábrica”) continuou perdendo força. Diante dos eventos recentes, o conflito com o Irã aumentou a incerteza, afetando diretamente o preço do petróleo e o transporte marítimo global. Vimos os contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro a um preço combinado) do petróleo Brent passarem de US$ 100 por barril neste mês, um nível pouco visto desde 2022, o que indica mais instabilidade. Isso torna prudente comprar opções (contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço definido) para se proteger de movimentos fortes do mercado nas próximas semanas.Ideias com derivativos para risco na China
A alta dos custos de energia é a principal preocupação, pois entra diretamente na inflação e dificulta a política monetária (decisões do banco central sobre juros e crédito). Vimos a inflação subjacente atingir 1,8% em fevereiro, e o Banco do Povo da China (banco central do país) manteve sua taxa básica de juros inalterada na última decisão. Essa pausa na redução de juros indica que devemos considerar swaps de taxa de juros (contratos para trocar juros “fixos” por “variáveis”, ou o contrário) para se posicionar para custos de empréstimo mais altos por mais tempo do que o esperado no início do ano. Embora os dados de investimento fixo da China em janeiro e fevereiro tenham sido fortes, com alta de 1,8% após quedas durante grande parte de 2025, a perspectiva para o segundo trimestre é mais fraca. O efeito do conflito sobre a demanda global pode atingir exportadores chineses, criando um “vento contrário” para a economia. Portanto, pode fazer sentido comprar opções de venda (put options, que ganham valor quando o preço cai) sobre grandes índices de ações chinesas, como o HSCEI (índice de ações de empresas chinesas listadas em Hong Kong), como proteção contra uma possível queda neste outono. Há uma divisão clara entre setores, o que cria oportunidades para operações “casadas” (pairs trades, comprar um ativo e vender outro para apostar na diferença de desempenho). O impulso do governo em gastos de infraestrutura, que está puxando a melhora do investimento, sustenta uma visão positiva para commodities industriais (matérias-primas usadas na indústria) como o cobre. Em contraste, o setor imobiliário continua fraco, então seria possível combinar uma posição comprada (apostar em alta) em um ETF (fundo negociado em bolsa) focado em materiais com uma posição vendida (apostar em queda) em uma incorporadora. O yuan chinês enfrenta forças opostas, o que é bom para derivativos de moeda baseados em volatilidade (variação intensa de preços). Uma conta maior de importação de energia pesa contra a moeda, mas o atraso em cortes de juros dá suporte, criando tensão. Isso sugere que uma estratégia com opções como um straddle comprado (comprar uma opção de compra e uma de venda ao mesmo tempo, para ganhar com um grande movimento para qualquer lado) no par USD/CNY (dólar versus yuan) pode funcionar, pois pode lucrar com uma variação forte sem precisar prever a direção.
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