Perspectiva de curto prazo para NZD/USD
As taxas de juros da Nova Zelândia subiram mais do que as da Austrália, o que ajudou o NZD a ganhar força contra o dólar australiano (AUD). Mesmo assim, o NZD/USD deve continuar fraco a menos que o RBNZ traga um resultado mais “hawkish” (isto é, mais inclinado a subir juros e manter juros altos) do que o mercado espera. O dólar da Nova Zelândia deve seguir fraco frente ao dólar americano nas próximas semanas. O NZD/USD caiu para perto de 0,6150 neste mês, principalmente porque dados recentes dos EUA — como o relatório de emprego fora do setor agrícola (non-farm payrolls, um indicador mensal de criação de vagas nos EUA) que mostrou forte alta de 250.000 empregos — estão sustentando o dólar. Essa tendência deve continuar antes da reunião do RBNZ. Embora o mercado espere mais altas de juros do RBNZ no próximo ano, isso já está embutido nos preços. Com o petróleo Brent (referência internacional do petróleo) firme perto de US$ 95 por barril e a inflação do 4º trimestre de 2025 em 3,8%, o caminho de juros mais altos já é conhecido. Por isso, a reunião de 8 de abril, em que os juros devem ficar em 2,25%, provavelmente não trará suporte novo para a moeda. Isso favorece uma estratégia de comprar opções de venda (put options: contratos que dão o direito de vender o par NZD/USD a um preço definido, buscando lucro se houver queda) com vencimento após a reunião de abril, visando mais baixa. Como o mercado já colocou no preço os prováveis passos do RBNZ, a volatilidade implícita (o nível de oscilação esperado pelo mercado e embutido no preço da opção) pode estar alta demais. Vender volatilidade (tentar ganhar com a queda do “prêmio” dessas opções) com estratégias como strangle vendido (vender ao mesmo tempo uma opção de compra e uma opção de venda, em preços diferentes, apostando que o preço vai oscilar pouco) pode dar lucro se o RBNZ entregar o resultado estável esperado.Valor relativo versus dólar australiano
Vimos algo parecido em 2024, quando o RBNZ manteve um tom duro, mas preocupações com o crescimento global mantiveram o kiwi (apelido do dólar da Nova Zelândia) pressionado. O foco do mercado pode ficar em temas mais amplos, como a política de juros dos EUA ou o apetite a risco (disposição dos investidores de assumir risco), e não apenas nos juros locais. Esse padrão histórico reforça que o NZD pode cair mesmo quando o banco central fala em juros mais altos. Em contraste, o kiwi parece bem mais forte contra o dólar australiano. A alta nas taxas de swap de dois anos da Nova Zelândia (taxas de contratos de swap: acordos financeiros usados para trocar fluxos de juros e que servem como “termômetro” da expectativa de juros) superou a da Austrália, ampliando a diferença de rendimento a favor da Nova Zelândia. Isso torna atrativa uma posição comprada em NZD/AUD, talvez usando contratos a termo (forward: acordo para comprar ou vender no futuro a um preço definido), como uma operação em par (pair trade: comprar um ativo e vender outro para focar na diferença entre eles) para destacar a vantagem relativa de juros da Nova Zelândia.
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