Resiliência do mercado de trabalho
Os pedidos de auxílio-desemprego estáveis reforçam nossa visão de um mercado de trabalho resistente (que se mantém forte). Essa força constante sugere que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não terá pressão para cortar juros no curto prazo. Por isso, devemos reduzir a expectativa de uma virada para uma postura mais “leve” (dovish, ou seja, mais favorável a reduzir juros), empurrando mais para frente o prazo de possíveis cortes. Com o Fed provavelmente mantendo os juros, esperamos pressão contínua sobre derivativos de juros de curto prazo (contratos financeiros cujo valor depende das taxas de juros) que precificaram cortes grandes para o verão. Dados recentes de inflação, que mostraram o núcleo do PCE (core PCE, uma medida de inflação que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia) de fevereiro de 2026 em 2,8%, sustentam essa postura paciente dos formuladores de política. Esse cenário sugere evitar seguir altas em contratos futuros (futuros, contratos para comprar ou vender no futuro) ligados à taxa SOFR (referência de juros de curto prazo nos EUA baseada em operações com garantia). Essa estabilidade mantém a volatilidade do mercado baixa, com o índice VIX (medida da “ansiedade” do mercado acionário) perto de 13,5. Isso torna atrativo vender prêmio de opções (prêmio é o preço da opção), já que a economia forte ajuda a sustentar as ações. Vemos oportunidades em lançar calls cobertas (covered call: vender uma opção de compra tendo as ações como proteção) em ações de tecnologia com bom desempenho ou vender puts com caixa reservado (cash-secured put: vender opção de venda mantendo dinheiro separado para comprar se for exercida) em ETFs de mercado amplo como o SPY (ETF que acompanha o índice S&P 500). O cenário atual é bem diferente da instabilidade do mercado no outono de 2025, quando o medo de recessão (queda forte da atividade econômica) era maior. Mesmo assim, a baixa volatilidade não deve levar à falta de cautela. Ainda é sensato manter algumas puts de proteção baratas e de longo prazo (opções de venda que ganham valor se o mercado cair) em índices importantes, como proteção contra choques geopolíticos ou econômicos inesperados.Posicionamento em juros e ações
Os números fortes de emprego indicam que o consumidor deve continuar gastando, o que favorece setores cíclicos (setores que melhoram quando a economia cresce). Podemos considerar estratégias otimistas com opções em ETFs de consumo discricionário (bens e serviços não essenciais) como o XLY. Isso pode ser combinado com posições pessimistas em setores sensíveis aos juros, como utilidades (serviços públicos), que costumam ir pior quando a chance de corte de juros diminui.
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