Fatores Do Mercado E Riscos Geopolíticos
A pressão sobre a infraestrutura de energia do Irã continuou, e o Estreito de Ormuz foi descrito como praticamente fechado, elevando o petróleo e o medo de mais inflação. Operadores já quase descartaram novos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e aumentaram apostas em uma alta de juros até o fim do ano. Isso empurrou para cima os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasury yields, a “taxa” paga por esses títulos) e reduziu o interesse pelo ouro. A expectativa era de volatilidade (fortes oscilações de preço) alta por causa da sensibilidade a manchetes geopolíticas, incluindo especulações sobre uma possível operação terrestre dos EUA voltada para a Ilha de Kharg. Os sinais técnicos seguiram negativos abaixo da SMA de 100 dias, com MACD (indicador de tendência) abaixo de zero e RSI (índice de força relativa, que mede se o ativo está “esticado”) na faixa baixa dos 30 após cair abaixo de 30. A resistência (zona onde o preço costuma travar) fica na SMA de 100 dias e no nível de Fibonacci de 38,2% (marcas usadas para estimar suportes e resistências). Se passar, abre caminho para US$ 4.770 (50,0%). O suporte (zona onde o preço costuma segurar) está perto de US$ 4.422 (23,6%) e US$ 4.407, depois US$ 4.300; uma alta acima de US$ 4.614 enfraqueceria o viés de queda.Estratégias De Trading E Posicionamento
A escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente em torno do Estreito de Ormuz, está criando um cenário “risk-off” (quando o mercado evita risco e busca segurança) que, neste momento, prejudica o ouro. Embora tensão geopolítica normalmente ajude o metal, agora fortalece mais o dólar como “porto seguro” (ativo visto como mais seguro em crises). O índice DXY (índice que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas) atingiu ontem a máxima de 16 meses em 107,50. Isso torna o ouro, que não paga rendimento (non-yielding, ou seja, não paga juros), menos atraente. Para traders, isso sugere buscar mais queda no preço do ouro. Comprar opções de venda (put options, contrato que ganha valor quando o preço cai) em XAU/USD (par do ouro contra o dólar) com preço de exercício (strike, o preço definido no contrato) perto da mínima recente de US$ 4.407, ou mirando US$ 4.300, pode ser uma forma direta de aproveitar essa tendência. A resistência em US$ 4.600 parece firme, sendo um ponto para iniciar posições vendidas (short, apostar na queda) ou vender “call credit spreads” (estratégia com opções de compra em que você vende uma call e compra outra mais acima para limitar risco, recebendo um crédito). Ainda assim, o RSI indica condição de sobrevenda (oversold, quando o preço pode ter caído demais no curto prazo), o que pode gerar repiques. Para se proteger de uma virada rápida, traders podem comprar opções de compra fora do dinheiro (out-of-the-money calls, com strike acima do preço atual) ou usar “bull call spreads” (estratégia de alta com duas calls, reduzindo custo) com strikes acima da resistência de US$ 4.614. Isso protege carteiras vendidas contra uma notícia positiva inesperada para o ouro. A força do dólar também cria uma oportunidade. Uma forma é manter posição comprada no dólar (long, apostar na alta), por exemplo comprando opções de compra no DXY. Essa estratégia se beneficia do fluxo para ativos seguros e do diferencial de juros (quando os juros dos EUA ficam mais atraentes que os de outros países). A volatilidade deve continuar alta por causa do fluxo constante de manchetes sobre o Irã. Essa volatilidade elevada, com o VIX (índice de volatilidade do S&P 500, chamado de “índice do medo”) acima de 20 na semana passada, deixa os prêmios de opções (o preço pago pela opção) caros. Isso favorece quem vende opções, que pode lucrar com a perda de valor com o tempo (time decay, quando a opção perde valor conforme o vencimento se aproxima) e com a queda da volatilidade se a situação acalmar. O impacto do conflito nos preços de energia é outro ponto. Com os futuros (contratos para compra e venda no futuro) do petróleo WTI (referência do petróleo dos EUA) para entrega em maio rompendo acima de US$ 115 por barril, a pressão inflacionária aumenta e reforça a postura dura do Fed. A expectativa é que opções de compra de petróleo continuem funcionando enquanto persistirem as tensões em rotas de transporte marítimo importantes.
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