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Geoff Yu, do BNY, afirma que choques energéticos ligados ao Irã estão pressionando pagamentos na Ásia-Pacífico e direcionando fluxos de MYR, THB, AUD e PHP

by VT Markets
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Mar 26, 2026
Quatro semanas após o início do conflito com o Irã, os movimentos das moedas na região Ásia-Pacífico (APAC) estão sendo afetados por pressão no **balanço de pagamentos** (entrada e saída de dinheiro do país, via comércio e investimentos) ligada à energia e a produtos ligados ao setor. As moedas em foco incluem **MYR** (ringgit da Malásia), **THB** (baht da Tailândia), **AUD** (dólar australiano) e **PHP** (peso filipino). O papel do Golfo no fornecimento de insumos como **hélio** (gás usado em indústria e saúde) e **ureia** (produto usado como fertilizante) está afetando partes da economia da APAC. **Combustíveis minerais** (como petróleo e derivados) continuam sendo a principal fonte de pressão no balanço de pagamentos regional, e também se espera um choque negativo mais amplo nos **termos de troca** (relação entre os preços do que um país exporta e do que importa).

Resiliência do Norte da Ásia

As principais economias exportadoras do Norte da Ásia são vistas como mais resistentes por terem mais **reservas internacionais** (dólares e outros ativos que o país guarda para defender a economia e a moeda) e mais **poupança de precaução** (dinheiro guardado por segurança). Também são citados recursos fiscais fortes (exceto o Japão) como proteção, e por enquanto saídas de **câmbio (FX)** (mercado de moedas) ou de **renda fixa** (títulos de dívida, como títulos públicos) não são uma grande preocupação. Em outras partes da APAC, governos do Sudeste Asiático avançaram para medidas como racionamento de combustível. Nas Filipinas, o presidente Marcos disse na terça-feira que não poderia descartar aviões ficarem no chão por falta de combustível de aviação (querosene de aviação). A Austrália, apesar de ser exportadora líquida de gás natural, enfrenta falta de derivados refinados de petróleo (combustíveis prontos, como gasolina e diesel). No último mês, as vendas líquidas ficaram concentradas em moedas que começaram de uma posição **sobrecarregada** (“overheld”, ou seja, muita gente já estava comprada nessa moeda), enquanto MYR, THB e AUD foram descritas como **subalocadas** (“underheld”, pouca posição nelas). Lembramos de algo parecido em março do ano passado, quando o conflito criou uma divisão clara nos mercados de moedas asiáticos. O ponto central foi o choque nos termos de troca por causa de produtos ligados à energia, que atingiu mais o Sudeste Asiático e a Austrália do que o Norte da Ásia. Essa diferença vista em 2025 ainda influencia as estratégias atuais.

Implicações para montar operações

As moedas de países importadores de energia, como o baht tailandês e o peso filipino, de fato enfraqueceram bastante no segundo e terceiro trimestres de 2025. Dados do 4º trimestre de 2025 mostraram que o **déficit em conta corrente** das Filipinas (quando o país compra do exterior mais do que vende, considerando também renda e serviços) aumentou para 4,2% do PIB, o maior em mais de uma década, refletindo a pressão contínua dos custos de importação. Isso confirmou a pressão no balanço de pagamentos que era esperada. Essa diferença mais duradoura sugere montar operações que se beneficiem da força do Norte da Ásia contra a fragilidade do Sudeste Asiático. Vemos valor em usar **opções** (contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender) para ficar vendido no peso filipino contra o dólar taiwanês (TWD/PHP). Essa estrutura foca no tema regional e reduz a dependência de movimentos mais amplos do dólar americano. Olhando paralelos históricos, como a crise de energia de 2022, a fraqueza da moeda em países dependentes de importação costuma continuar mesmo depois do choque inicial de preços. Os **bancos centrais** então precisam escolher entre apoiar a moeda com juros altos ou estimular uma economia que desacelera. Dados recentes de inflação da Tailândia, que vieram abaixo do esperado em 1,8% em fevereiro de 2026, dão mais espaço para o banco central priorizar crescimento, o que pode pesar sobre o baht. Para traders de **derivativos** (instrumentos financeiros baseados em outro ativo, como câmbio), isso significa que comprar **opções de venda (put)** em MYR e THB contra o dólar ainda é uma proteção possível. A **volatilidade implícita** (expectativa do mercado para a variação futura do preço, refletida no preço das opções) nesses pares segue acima das médias de cinco anos, mostrando que o mercado ainda coloca risco futuro ligado à segurança energética. Acreditamos que pagar esse custo extra é justificável pela incerteza. Por outro lado, o dólar australiano mostra um quadro mais complexo agora do que em 2025. Embora a falta de combustível refinado tenha sido um grande problema no ano passado, dados de comércio de janeiro de 2026 mostraram melhora clara nas exportações de bens processados. Isso sugere que os gargalos iniciais estão diminuindo, e ficar com pouco AUD talvez não seja mais uma operação tão simples como era doze meses atrás.

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