Abordagem dos Três Ts
A presidente do BCE, Christine Lagarde, pediu que os governos apliquem a abordagem dos “Três Ts” em qualquer medida: Temporária, Direcionada e Ajustada. Os economistas ligam essa orientação ao objetivo de evitar ajuda ampla, que poderia aumentar a pressão inflacionária. Eles afirmam que juros mais altos não substituem a energia perdida por causa de conflito. Acrescentam que aumentos de juros podem ajudar a manter as expectativas de inflação ancoradas (evitar que empresas e famílias passem a “esperar” inflação alta como padrão), enquanto os salários voltam para perto da meta de 2%. O Banco Central Europeu parece pronto para subir juros em resposta ao choque recente de energia, mesmo que isso não resolva o problema de oferta (falta do produto no mercado). Acabamos de ver dados preliminares de inflação de fevereiro de 2026 subirem para 3,1%, revertendo em grande parte a desaceleração vista em 2025. A principal preocupação do BCE agora é evitar que esse salto de preços fique embutido nas expectativas de salários. Diferente dos pacotes amplos de ajuda do governo vistos na crise de energia de 2022, a expectativa é de uma resposta bem mais contida desta vez. Os governos têm menos margem no orçamento e tentam não alimentar a inflação que o BCE está tentando reduzir. Isso deixa a política monetária (decisões do banco central sobre juros e crédito) como ferramenta principal para dar estabilidade à economia.Implicações para o mercado de juros
Para quem atua no mercado de juros, isso sugere que a curva futura do €STR (taxa de referência em euros para operações de curto prazo) talvez ainda não reflita totalmente a disposição do BCE de subir juros. Devemos esperar pelo menos duas altas nos próximos meses, criando oportunidades em swaps de juros de curto prazo (contratos para trocar juros variáveis por juros fixos). Montar posição para pagar a taxa flutuante (variável) e receber a taxa fixa pode dar lucro conforme o mercado ajusta as expectativas. Essa postura mais dura (mais inclinada a subir juros) indica queda nos preços dos títulos do governo alemão, elevando os rendimentos (o “yield”, que é o retorno do título), principalmente no curto prazo da curva. O rendimento do título alemão de 2 anos já subiu 20 pontos-base (0,20 ponto percentual) neste mês para 2,95%, e a expectativa é que passe de 3% em breve. Comprar puts (opções de venda, que ganham valor quando o preço cai) em futuros de Bobl ou Schatz (contratos futuros ligados a títulos alemães de prazo médio e curto) é uma forma direta de se posicionar para esse movimento. A diferença de rumo entre bancos centrais também pode favorecer o euro, especialmente contra o dólar, já que o Federal Reserve (banco central dos EUA) parece seguir um caminho mais cauteloso. A taxa EUR/USD (cotação do euro contra o dólar) já testou 1,10, acima de 1,08 poucas semanas atrás. Há valor em comprar opções de compra (call, que ganham valor quando o preço sobe) do euro para aproveitar uma possível alta adicional.
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