Pressões de custos e riscos de oferta na Zona do Euro
O relatório também citou preços de energia mais altos ligados à guerra no Oriente Médio e novas interrupções na cadeia de suprimentos (rede de produção e transporte de insumos). Os prazos de entrega dos fornecedores aumentaram, e os custos de insumos (gastos com matérias-primas e componentes) subiram no ritmo mais rápido em mais de três anos. No Reino Unido, o PMI Composto da S&P Global caiu para 51 em março, de 53,7. Serviços caíram para 51,2, de 53,9, e a indústria também perdeu força. A TD Securities apontou pressão maior sobre custos por energia mais cara e problemas de oferta. A casa espera que a inflação do Reino Unido fique em 3% na comparação anual em fevereiro, com possibilidade de alta nos próximos meses. O foco passa para falas de autoridades do BCE (Banco Central Europeu) mais tarde na terça-feira. O mercado também espera os dados de inflação do Reino Unido na quarta-feira para pistas sobre a política monetária (decisões sobre juros e crédito).Implicações de negociação para opções de EUR/GBP
Com a Zona do Euro e o Reino Unido mostrando sinais claros de desaceleração, a estabilidade do EUR/GBP perto de 0,8650 parece frágil. PMIs fracos indicam perda de fôlego da economia. Esse cenário, junto com custos em alta, dificulta a melhora. A maior preocupação é o retorno do medo de estagflação (inflação alta com economia fraca), impulsionado por energia mais cara por conflitos no Oriente Médio e novas quebras na cadeia de suprimentos. Os custos das empresas estão subindo no ritmo mais forte em anos, lembrando o pico de inflação de alguns anos atrás. Isso coloca os bancos centrais em um dilema, porque esperavam um caminho mais tranquilo após a desinflação (queda gradual da inflação) vista em 2024 e 2025. Para quem negocia derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo), a incerteza pode favorecer operações com volatilidade (tamanho das oscilações do preço). Com BCE e Banco da Inglaterra diante de decisões difíceis, a volatilidade implícita (volatilidade “embutida” no preço das opções, que reflete a expectativa do mercado) nas opções de EUR/GBP pode estar barata. Comprar straddles (compra simultânea de call e put com o mesmo preço de exercício) ou strangles (compra de call e put com preços de exercício diferentes) pode ser uma estratégia para apostar em um movimento forte, sem precisar prever a direção. Os próximos dados de inflação do Reino Unido são um gatilho importante. A inflação britânica ficou “pegajosa” no ano passado (difícil de cair), com dificuldade de ficar abaixo de 3%, e uma leitura alta pode levar o Banco da Inglaterra a adotar um tom mais duro (hawkish, ou seja, mais inclinado a subir/manter juros altos) do que o BCE. Isso criaria diferença nas expectativas de política monetária, provavelmente pressionando o EUR/GBP para baixo. Por outro lado, se falas de autoridades do BCE mostrarem mais preocupação com inflação do que com crescimento, o movimento pode se inverter. Como a inflação da Zona do Euro também tem sido resistente, qualquer sinal de que cortes de juros não estão no radar sustentaria o euro. O ponto é usar opções para apostar em qual economia o mercado vai ver como mais fraca.
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