Inflação Se Afasta Ainda Mais da Meta
Com o CPI (inflação ao consumidor) do Japão caindo para 1,3% em fevereiro na comparação anual, a inflação volta a se afastar da meta de 2% do Banco do Japão (BoJ, o banco central do país). Esse dado reduz bastante a chance de o BoJ “endurecer” a política monetária (ou seja, subir juros) no curto prazo. Para nós, isso indica que o banco central deve manter uma postura mais branda (dovish, isto é, favorável a juros baixos) por mais tempo do que o esperado. Isso volta a tornar interessante apostar na queda do iene japonês (JPY, a moeda do Japão), revertendo a breve tendência do fim de 2025, quando o mercado esperava a normalização da política (volta gradual a níveis de juros mais “normais”). A diferença de juros entre o Japão e outras grandes economias, principalmente os EUA, deve continuar grande. Podemos considerar comprar opções de compra (call options, um contrato que dá o direito de comprar um ativo a um preço definido até uma data) no par USD/JPY (cotação do dólar americano contra o iene), já que ele voltou a subir acima do nível 152 neste mês. Um iene mais fraco ajuda diretamente a bolsa do Japão, que tem muitas empresas exportadoras, porque seus produtos ficam mais competitivos no exterior. Isso melhora os lucros das empresas e tende a empurrar o índice Nikkei 225 (principal índice da bolsa japonesa) para cima. O Nikkei já subiu mais de 3% só em março, e podemos avaliar comprar contratos futuros do índice (index futures, um contrato para comprar ou vender o índice em uma data futura) ou opções de compra para buscar mais alta. A pressão desinflacionária (desinflação, quando a inflação perde força, mas não vira queda de preços) também sugere que o BoJ continuará mantendo baixos os rendimentos dos títulos do governo (bond yields, o retorno pago pelos títulos). A ata (minutes, resumo oficial) da reunião recente do BoJ já confirmou o compromisso com a taxa de política em -0,1% até que a inflação seja atingida de forma estável.Juros Japoneses Devem Seguir Contidos
Isso reforça o argumento de usar swaps de juros (interest rate swaps, contratos em que duas partes trocam pagamentos de juros, por exemplo, taxa fixa por taxa variável) para apostar que os rendimentos no Japão continuarão presos (anchored, isto é, sem subir muito) em níveis historicamente baixos.
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