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No comércio asiático, o XAG/USD permanece perto de US$ 74 após se recuperar das mínimas de fevereiro em US$ 64, mas o cenário segue sombrio

by VT Markets
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Mar 20, 2026
A prata (XAG/USD) foi negociada perto de US$ 74 na Ásia na sexta-feira, após se recuperar na quinta-feira da mínima de fevereiro perto de US$ 64,00. O movimento veio depois de uma queda do dólar americano, porque diminuiu o medo de que a política de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) ficasse muito diferente da de outros bancos centrais. O Índice do Dólar (DXY, um indicador que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas importantes) caiu mais de 1% para perto de 99,00 na quinta-feira e depois subiu levemente para cerca de 99,35. O dólar tinha subido na quarta-feira depois que Jerome Powell disse que cortes de juros eram improváveis, a menos que a inflação voltasse a se aproximar da meta de 2% do Fed.

Bancos centrais indicam cautela na política

Declarações do Banco do Japão, do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu mostraram pouca vontade de afrouxar a política monetária (medidas como mexer nos juros e no dinheiro em circulação) enquanto as expectativas de inflação correm o risco de “sair do controle” com o petróleo mais caro. Juros mais altos por mais tempo costumam pesar sobre ativos que não pagam rendimento (ou seja, não geram juros), como a prata. Tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo EUA, Israel e Irã, deram suporte a ativos de proteção (investimentos vistos como mais seguros em tempos de risco). Nesses cenários, a prata tende a cair menos. Nos gráficos, o preço ficou abaixo da EMA de 20 dias (média móvel exponencial, um tipo de média que dá mais peso aos preços recentes) perto de US$ 81,30, com viés de baixa (tendência mais fraca) e RSI abaixo de 40,00 pela primeira vez em 11 meses. O RSI (Índice de Força Relativa, um indicador de “força” compradora/vendedora) abaixo de 40 sugere pouco impulso de compra. A resistência (região em que o preço tende a ter dificuldade para subir) está em US$ 76,50, depois em US$ 81,00 e US$ 84,00. O suporte (região em que o preço tende a encontrar compradores) fica perto de US$ 70 e da mínima de quinta-feira em US$ 65,51. Olhando para este mesmo período em 2025, a prata estava com dificuldade perto de US$ 74 e com perspectiva ruim. A principal preocupação era a postura firme do Fed contra cortes de juros, o que limitava ativos sem rendimento, como a prata. Isso manteve pressão de venda e deixou o metal abaixo de médias móveis importantes (linhas que mostram a direção média do preço ao longo do tempo). A situação hoje é bem diferente, com a prata acima de US$ 85 por onça. O DXY, que ficou perto de 99,00 no começo de 2025, caiu para cerca de 95,50 depois de cortes de juros do Fed que o mercado já esperava e que começaram no quarto trimestre do ano passado. Esse dólar mais fraco favorece a prata.

Demanda industrial faz a prata subir

Um fator importante por trás da alta é o aumento da demanda industrial (uso pela indústria), principalmente no setor de energia limpa. Instalações globais de painéis solares, que usam prata, cresceram quase 40% em 2025, chegando ao recorde de 550 gigawatts, e as projeções para 2026 indicam continuidade. Esse consumo industrial cria uma base mais forte para os preços. Embora as tensões no Oriente Médio tenham dado algum suporte em 2025, conflitos prolongados agora viraram parte do “prêmio de risco” do mercado (valor extra no preço por causa da incerteza). Essa instabilidade continua atraindo investidores para ativos físicos, como a prata. O cenário técnico de 2025, com o preço preso abaixo da EMA de 20 dias perto de US$ 81, agora se inverteu. Essa mesma média virou um suporte dinâmico (um suporte que se move com o tempo), com o RSI acima de 60, sinalizando força compradora. Para quem opera derivativos (contratos cujo valor vem de outro ativo, como opções), esse ambiente sugere vender puts fora do dinheiro (opções de venda com preço de exercício abaixo do preço atual, que só ganham valor se o ativo cair bastante) para aproveitar a volatilidade implícita mais alta (a volatilidade que o mercado “embute” no preço das opções) e o suporte técnico forte. Essa estratégia busca receber o prêmio (valor pago pela opção) com risco definido, apostando que o preço ficará acima de suportes como US$ 81. Como alternativa, para quem espera que a alta chegue ao nível psicológico de US$ 90, spreads de compra com débito (estratégia com opções em que se compra uma call e se vende outra call a um preço de exercício maior, pagando um custo líquido) oferecem uma forma mais barata de ficar comprado, com risco limitado e custo inicial controlado, sem o risco amplo de operar contratos futuros (acordo para comprar/vender no futuro a um preço definido, que pode gerar variações grandes).

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