Foco do mercado e sinais de política
A atenção do mercado se voltou para a coletiva do presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, em busca de orientação. Na terça-feira, Ueda disse que preços e salários devem continuar subindo e que a inflação subjacente (inflação “de base”, que tenta mostrar a tendência real ao reduzir efeitos temporários) deve caminhar para a meta de 2% na segunda metade do ano fiscal de 2026 até o ano fiscal de 2027. O dólar americano perdeu força depois de subir na quarta-feira com a decisão do Federal Reserve (o banco central dos EUA). O Fed manteve os juros na faixa de 3,50%–3,75% e disse que mudanças dependeriam de a inflação dar sinais de queda. O objetivo do Banco do Japão é manter os preços estáveis, com meta de inflação perto de 2%. Ele usou estímulos em larga escala (medidas para aumentar dinheiro e crédito na economia) a partir de 2013, adicionou juros negativos (cobrar dos bancos para deixarem dinheiro parado no banco central) e controle da curva de juros (tentar manter certos juros de longo prazo em níveis definidos) em 2016, e elevou os juros em março de 2024. A diferença de política em relação a outros bancos centrais pressionou o iene em 2022 e 2023. Com o Banco do Japão mantendo a taxa em 0,75%, a grande diferença para os juros dos EUA (3,50%–3,75%) segue como o principal fator. Esse “gap” de juros continua tornando atraente para traders a estratégia de tomar iene emprestado para comprar dólares (uma operação conhecida como carry trade, que busca ganho com a diferença de juros). Por isso, a pressão sobre o iene deve continuar no curto prazo.Risco de intervenção e níveis-chave
Vemos o par USD/JPY perto de 159,70, um nível que no passado levou autoridades japonesas a intervir em 2024 com alertas e ações diretas no mercado (intervenção, quando o governo/banco central compra ou vende moeda para tentar mudar o câmbio). Como a inflação “núcleo” nacional do Japão (medida que exclui itens mais voláteis para mostrar a tendência) em fevereiro de 2026 veio em 2,7%, acima da meta de 2%, o governo pode agir para evitar novas altas de preços puxadas por importações. Assim, traders devem ter muito cuidado com uma reversão rápida e forte se o par passar com força do nível 160. Do lado dos EUA, a decisão do Federal Reserve de manter os juros até a inflação ceder torna os próximos dados econômicos essenciais. A inflação dos EUA ficou acima de 3% na maior parte do último ano, e qualquer relatório do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, um indicador que mede a variação de preços de uma “cesta” de produtos e serviços) mostrando uma queda relevante pode provocar uma venda rápida do dólar. Por outro lado, um CPI alto reforçaria a força do dólar e poderia testar a reação do Japão no nível 160.
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