Preocupações com oferta diminuem
As preocupações com oferta também diminuíram após a retomada das exportações de petróleo bruto (petróleo ainda não refinado) dos campos de Kirkuk, no Iraque, para o porto de Ceyhan, na Turquia, por meio de um oleoduto (tubo que transporta petróleo). A retomada veio após um acordo entre Bagdá e o Governo Regional do Curdistão no início desta semana. Os riscos geopolíticos (riscos ligados a conflitos entre países) continuaram sustentando preocupações com preços por causa de ataques a locais de energia no Oriente Médio. O Irã lançou ataques com mísseis contra um local no Catar que abriga a maior instalação de exportação de GNL (gás natural liquefeito, gás resfriado para virar líquido e ser transportado) do mundo, após um ataque israelense ao campo de gás South Pars, do Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que sabia do ataque israelense com antecedência e pediu contenção em novos ataques a ativos de energia iranianos (instalações e equipamentos ligados a petróleo e gás). A Arábia Saudita disse que impediu uma tentativa de ataque a uma instalação de gás, e autoridades relataram quatro moradores feridos por estilhaços (pedaços de metal) que caíram em Riade. Relatos disseram que mísseis interceptados nos Emirados Árabes Unidos tinham como alvo uma instalação de gás e um campo de petróleo. Isso aumentou as preocupações com riscos mais amplos para a infraestrutura de energia (instalações como dutos, refinarias, portos e campos).Foco em estratégia de volatilidade
Estamos vendo o WTI recuar para perto de US$ 97,80, o que parece não combinar com a alta dos riscos no Oriente Médio. A redução parcial das sanções à Venezuela e a dispensa do Jones Act colocam mais oferta no curto prazo, mas isso tende a ser temporário. Isso cria um cenário muito incerto, ideal para operações de volatilidade (ganhar com oscilações de preço) nas próximas semanas. O relatório mais recente da EIA (Energy Information Administration, órgão que divulga dados oficiais de energia nos EUA) mostrou uma queda inesperada dos estoques de petróleo (inventários, volume armazenado) de 3,1 milhões de barris, o que complica o cenário e sugere que a demanda (consumo) continua forte. Essa redução de estoques vai contra a visão de queda de preços causada pelas notícias de aumento de oferta. Para traders (operadores), isso indica que qualquer queda pode durar pouco e encontrar forte suporte (região em que o preço costuma parar de cair). Com forças opostas, buscar uma tendência clara é arriscado; por isso, vale considerar estratégias que ganham com a volatilidade. Estratégias com opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender por um preço definido) como long straddle (comprar ao mesmo tempo uma opção de compra e uma opção de venda, com o mesmo vencimento e preço de exercício) em contratos do “front-month” (contrato com vencimento mais próximo) podem funcionar. Essa abordagem permite lucrar com um movimento grande, seja para cima ou para baixo. O histórico recente de 2025 mostra que ataques com mísseis do Irã e tentativas de ataque na Arábia Saudita estão criando um “prêmio de risco” (parte extra do preço por medo de falta de oferta) que não víamos há algum tempo. Lembramos o ataque a Abqaiq em 2019, que causou uma alta imediata de 15% antes de a produção ser normalizada. A situação atual parece ainda mais frágil, sugerindo que uma interrupção real de oferta teria forte impacto nos preços. Também é prudente duvidar do efeito imediato da oferta venezuelana, como ocorreu quando as sanções foram reduzidas em 2025. Relatos de fevereiro de 2026 mostraram que a produção ainda tem dificuldade para passar de 900 mil barris por dia por causa de anos de desgaste da infraestrutura (instalações antigas e mal conservadas). Isso significa que o volume real no mercado pode ser bem menor do que os títulos indicam.
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