Ataques regionais a energia aumentam
Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades disseram que interceptaram mísseis direcionados a infraestrutura de energia. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados disse que o Irã atacou instalações de gás e um campo de petróleo, chamando isso de escalada e violação do direito internacional (regras aceitas entre países). A estatal de petróleo e gás do Catar disse que a Cidade Industrial de Ras Laffan sofreu “grandes danos” após mísseis iranianos a atingirem, informou a Reuters. A Arábia Saudita disse que interceptou e destruiu vários mísseis balísticos (mísseis de longo alcance) lançados em direção a Riad e impediu uma tentativa de ataque por drone (aeronave não tripulada) a uma instalação de gás no leste. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não quer novos ataques a locais de energia do Irã após o ataque de Israel, na quarta-feira, a South Pars. Ele afirmou que novas ações podem depender dos próximos movimentos de Teerã em vias marítimas estratégicas (rotas importantes para transporte por navio). O West Texas Intermediate (WTI, um tipo de petróleo usado como referência de preço) caiu 0,73%, para US$ 97,85.Implicações para trading e posicionamento de risco
A principal lição da alta de tensão de 2025 é como a volatilidade (oscilações fortes de preço) pode voltar rápido aos mercados de energia. Ataques a instalações como Abqaiq em 2019 fizeram o Brent (tipo de petróleo de referência global) subir quase 20% em um dia, e os ataques de 2025 reforçaram essa fragilidade. Assim, comprar opções de compra (call, um contrato que dá o direito de comprar por um preço definido até uma data) com vencimento longo sobre petróleo ou sobre índices de volatilidade pode servir como proteção contra uma volta repentina de conflito aberto. Um “prêmio de risco geopolítico” (valor extra no preço por medo de guerra e instabilidade) passou a ficar embutido no petróleo após esses ataques, mantendo o preço acima do que oferta e demanda sugeririam. Isso indica que quedas relevantes no preço tendem a ser vistas como oportunidade de compra por traders (pessoas que negociam no curto prazo) que sabem como a situação pode piorar rápido. Traders devem prestar mais atenção aos spreads (diferença de preço entre dois ativos) entre produtos de energia. Os ataques de 2025 atingiram petróleo e infraestrutura grande de gás natural, como South Pars e Ras Laffan. Isso cria oportunidades na relação de preços entre WTI, Brent e contratos futuros (acordos para comprar ou vender no futuro por um preço definido) de gás natural, porque uma nova ameaça pode afetar mais uma commodity (matéria-prima negociada) do que outra. Com a calma ainda frágil, vender puts fora do dinheiro (opções de venda com preço de exercício que só dá lucro se o ativo cair muito) pode ser uma estratégia para receber o prêmio (valor pago pela opção), aproveitando a ansiedade do mercado. Porém, isso deve ser combinado com posições compradas em spreads de call (combinação de opções de compra para limitar perdas e ainda ganhar com alta) para limitar o risco e manter exposição a uma alta súbita de preço. Essa estrutura pode ganhar com a passagem do tempo (efeito que reduz o valor da opção com o tempo) e com um choque inesperado no mercado. O foco saiu de relatórios tradicionais de oferta e demanda e foi para acompanhar postura militar e falas de governos da região. É preciso monitorar movimentos navais no Estreito de Ormuz (passagem marítima estreita e estratégica), por onde passa cerca de 21% do consumo mundial de líquidos de petróleo (petróleo e derivados). Qualquer interrupção ali, mesmo ameaças verbais, tende a afetar mais rapidamente o preço de derivativos (instrumentos cujo valor depende de outro ativo, como opções e futuros) do que antes dos ataques diretos de 2025.
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