Fed indica inflação mais alta por mais tempo
O “dot plot” (gráfico de pontos com as previsões de juros dos membros) na mediana ainda mostra um corte neste ano, enquanto os membros que projetam nenhum corte subiram de seis para sete. A estimativa de taxa neutra de longo prazo (nível de juros que não acelera nem freia a economia) subiu para 3,1%. Powell disse que o avanço no combate à inflação tem sido limitado e ligou a inflação contínua de bens (produtos) às tarifas (impostos de importação), estimando que metade a três quartos da inflação do núcleo acima da meta é causada por tarifas. Ele afirmou que ainda é cedo para avaliar o tamanho e por quanto tempo o petróleo do Oriente Médio pode afetar os preços, e que o Fed não pode “ignorar” a inflação puxada por energia enquanto os preços de bens ligados a tarifas não estiverem controlados. Agora o foco vai para o BoE (Banco da Inglaterra), depois de uma votação apertada de 5-4 para manter os juros em fevereiro, com algumas projeções agora apontando 7-2 ou 6-3. A inflação de serviços do Reino Unido (CPI de serviços, parte do índice de preços ao consumidor) foi 4,4% contra 4,1% previstos pelo BoE, e muitos economistas agora veem um corte apenas a partir de abril. No gráfico de 15 minutos, o GBP/USD estava em 1,3290, abaixo da EMA de 200 períodos (média móvel que dá mais peso aos preços recentes) perto de 1,3326, com o Estocástico (indicador de momentum/força do movimento) em valores muito baixos. A resistência (zona onde o preço costuma ter dificuldade para subir) está em 1,3320–1,3335 e 1,3360, enquanto o suporte (zona onde o preço costuma encontrar “chão”) está em 1,3285 e depois 1,3250.Decisão do BoE e plano de trade
A decisão do Federal Reserve de manter os juros e sinalizar inflação mais alta por mais tempo é o ponto principal. Essa postura mais dura (hawkish, ou seja, mais focada em segurar a inflação com juros altos) fortalece o dólar, pressionando o par GBP/USD. A forte queda durante a coletiva de Powell confirma que o mercado está “precificando” (ajustando preços com base nessa expectativa) um Fed mais firme do que outros bancos centrais. Isso lembra 2018-2019, quando tarifas comerciais afetaram a inflação e forçaram decisões do Fed. A alta do petróleo também lembra 2022, quando o salto nos preços de energia após a invasão da Ucrânia complicou a política de juros no mundo. Dados históricos mostram que, em cenários assim, o dólar costuma ser um “porto seguro” (moeda buscada em momentos de risco), especialmente quando o Fed mantém uma postura firme contra a inflação. Embora o Banco da Inglaterra também deva manter os juros amanhã, sua posição parece mais fraca e reativa. Ele estaria sendo forçado a adiar cortes por causa do choque do petróleo, e não por força real da economia como nos EUA. Essa diferença de confiança entre bancos centrais deve continuar favorecendo o dólar sobre a libra nas próximas semanas. Dado esse cenário, vale considerar comprar opções de venda (put, que ganham valor quando o preço cai) em GBP/USD com vencimento em abril ou maio. Com o par em 1,3290, mirar strikes (preço de exercício da opção) como 1,3200 ou 1,3100 permitiria tentar lucrar com uma continuação da queda. A incerteza maior com o conflito no Oriente Médio tende a manter a volatilidade de opções (expectativa de variação do preço embutida no valor da opção) elevada, refletindo o risco de movimentos rápidos. Devemos usar os níveis técnicos como guia para o momento das entradas. A zona de resistência em 1,3320–1,3335 agora é um teto importante, e qualquer falha em romper acima disso pode ser vista como chance de abrir ou aumentar posições vendidas (short, aposta na queda). O primeiro alvo de queda é a mínima recente de 1,3285; se romper abaixo, abre espaço para a região de 1,3250.
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