Decisão do BoJ e principais riscos
O Banco do Japão (BoJ, o banco central do Japão) decide na quinta-feira e também deve manter a taxa em 0,75%. O texto cita como risco para o crescimento do Japão os preços de energia ligados ao fechamento do Estreito de Ormuz (uma rota importante para o petróleo). Enquanto isso, a inflação “núcleo” (inflação que exclui itens muito voláteis, como energia e alimentos) está acima da meta, e o crescimento dos salários segue firme. No gráfico diário, o par opera a 158,93, acima da **EMA** (média móvel exponencial, uma média de preços que dá mais peso aos dados mais recentes) de 50 dias, perto de 156,50, e da EMA de 200 dias, logo abaixo de 152,70. O **oscilador estocástico** (um indicador de momentum que ajuda a avaliar se o preço está “esticado” para cima ou para baixo) está acima de 90. O suporte fica em 158,00, 156,50, 154,30 e 152,70. A resistência está em 159,50 e perto de 159,75, com 160,50 acima disso. A análise técnica foi feita com ajuda de uma ferramenta de IA. Lembramos como o USD/JPY estava prestes a ficar abaixo do nível de 160,00 no fim de 2025, com todos esperando os bancos centrais. O mercado ficou travado, sem vontade de subir mais antes de ter mais clareza sobre a direção dos juros do Fed e do Banco do Japão. Esse período de “consolidação” (movimento lateral, sem tendência clara) foi resultado direto da incerteza sobre a diferença futura entre as taxas de juros dos dois países.Sinais do Fed e viradas da inflação
Olhando para trás, a decisão do Fed naquele período foi decisiva. Embora tenha mantido os juros em 3,75%, as projeções econômicas atualizadas mudaram de leve o **dot plot** (gráfico de pontos que mostra onde cada dirigente do Fed acha que os juros devem ficar), indicando um caminho mais claro para os cortes de juros que vimos depois. Dados do **CPI** dos EUA (Índice de Preços ao Consumidor, a medida de inflação mais acompanhada) do começo de 2026 confirmaram essa desaceleração da inflação. O número “cheio” (headline, o índice total) caiu recentemente para 2,9%, o que deu espaço para o Fed seguir reduzindo juros. O Banco do Japão foi cauteloso em 2025, citando riscos de energia, mas a pressão dos salários acabou mudando o cenário. Nas negociações salariais de primavera, grandes empresas concordaram com aumento médio de 4,5%, o maior em décadas, o que aumentou a expectativa de mais “normalização” da política (ou seja, sair de juros muito baixos e ir para um nível mais comum). Essa mudança deu sustentação ao iene, algo que não existia no ano anterior. Pelo lado técnico, o sinal de estocástico muito alto em 2025 foi um alerta correto de cansaço. A falha em romper com força acima de 160,00 levou à queda a partir da qual o preço agora voltou a andar de lado. A volatilidade implícita de um mês (uma estimativa de quanto o mercado espera que o preço oscile, calculada a partir dos preços de opções) passou de mais de 10% na época dessas reuniões e depois caiu para perto de 7%. Nas próximas semanas, traders devem considerar que o caminho mais provável pode ter mudado. Com o Fed cortando juros e o BoJ subindo juros de forma lenta, a forte alta de 2025 perde força. Vender opções de compra (**call**) “fora do dinheiro” (out-of-the-money: quando o preço de exercício da opção está acima do preço atual) para receber o prêmio (o valor pago pela opção) em altas em direção a 158,00 pode ser uma estratégia mais cautelosa. Esta visão supõe que essa diferença de política monetária continue de forma calma e gradual. O principal risco é o Fed surpreender e pausar os cortes, talvez por causa de uma nova alta da inflação de serviços nos EUA, que continua “pegajosa” (difícil de cair) acima de 4%. Isso mudaria o cenário e poderia trazer uma virada forte de volta para perto das máximas do ano passado.
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