Exposição das Exportações de Yanbu ao Risco no Mar Vermelho
Com base nos cronogramas, cerca de 70–75% das exportações de Yanbu podem sofrer interrupções se a atividade dos Houthis (grupo armado no Iêmen) afetar o Mar Vermelho. Das exportações de Yanbu, 90% devem ser carregadas em VLCCs (navios petroleiros gigantes, “Very Large Crude Carriers”), e pelo menos 80% disso deve ir para mercados asiáticos ou para a refinaria saudita de Jazan (instalação industrial que transforma petróleo bruto em combustíveis). VLCCs totalmente carregados não conseguem usar o Canal de Suez (rota artificial no Egito que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho), o que indica a passagem por Bab El-Mandeb (estreito entre o Iêmen e o Chifre da África) para muitas cargas. Até 2–2,5 m b/d de fluxos programados em VLCCs poderiam, em vez disso, seguir para o norte até Ain Sukhna e usar o oleoduto SUMED (oleoduto egípcio que leva petróleo do Mar Vermelho ao Mediterrâneo) de 2,5–2,8 m b/d até Sidi Kerir, com pouco mais de 2 m b/d como limite prático para essa rota. Dada a grande interrupção no Estreito de Hormuz, o mercado enfrenta um choque forte de oferta (queda súbita na disponibilidade). O desvio de rotas não resolve tudo. Com o oleoduto Leste-Oeste para o Mar Vermelho operando no limite, vemos um cenário de alta para o petróleo no curto prazo. Isso é uma piora importante em relação aos atrasos de navegação vistos em 2024 e 2025. O risco para esse petróleo desviado é real, porque agora ele precisa passar por Bab El-Mandeb. Vimos o petróleo Brent (referência global de preço do petróleo) subir para acima de US$ 115 por barril após o relato de um míssil que quase atingiu um VLCC nessa passagem no mês passado. O CBOE Crude Oil Volatility Index (OVX) (índice que mede a expectativa de volatilidade, ou seja, quanto o preço pode oscilar) segue alto, perto de 55, refletindo o medo do mercado de um ataque direto a um navio-tanque (petroleiro).Implicações para Negociação e Mercado
Uma parte grande dessas exportações, até 75% do fluxo de Yanbu, é carregada em VLCCs grandes demais para passar pelo Canal de Suez. Isso obriga a rota ao sul por uma zona de alto risco para chegar à Ásia. A rota alternativa pelo oleoduto SUMED do Egito já está pressionada e suporta no máximo cerca de 2,5 milhões de barris por dia, criando um gargalo (ponto de travamento que limita o volume). Para traders (operadores do mercado), isso sugere comprar opções de compra (call options: contratos que dão o direito de comprar a um preço definido) de vencimento mais próximo (front-month: o contrato que vence primeiro) no Brent para aproveitar picos de preço com risco limitado. A diferença de preço (spread) entre Brent e WTI (referência dos EUA) já aumentou para perto de US$ 9, a maior desde o fim de 2024, porque o impacto é mais forte no petróleo do Oriente Médio. Acreditamos que essa diferença pode aumentar nas próximas semanas.
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