Fluxos entre moedas impulsionam a divergência
O desempenho mais amplo do AUD foi prejudicado por fluxos entre moedas (movimentação de dinheiro ao trocar AUD por outras moedas que não o USD), principalmente em janeiro. Esses fluxos reduziram o resultado agregado (o desempenho total nos vários pares) da moeda em comparação com o par AUD/USD. Com a reunião do Banco Central da Austrália amanhã, 17 de março de 2026, vemos o RBA mantendo uma das posturas mais agressivas (juros altos por mais tempo) entre as principais economias. A inflação na Austrália continuou resistente (ou seja, demora a cair); o último dado trimestral, de janeiro, mostrou taxa anual de 3,8%, bem acima da meta do RBA. Isso torna muito improvável que o banco central sinalize um corte na taxa básica atual de 4,35% (a “cash rate”, principal juros do país). Com esses juros altos, é surpreendente que não haja uma grande entrada de capital no dólar australiano. Essa cautela sugere que traders (participantes do mercado que compram e vendem ativos) estão comparando o ganho de juros (rendimento) com preocupações sobre a economia global. Embora o AUD/USD tenha tido algumas entradas na semana passada, a tendência mais ampla segue fraca.Ideias de posicionamento para operações de valor relativo
A principal divergência observada ao longo de 2025 foi o fraco desempenho do AUD contra outras moedas, apesar de relativa estabilidade contra o dólar americano. Como o mercado agora deixa de lado cortes relevantes de juros do Federal Reserve (banco central dos EUA) para este ano, a estratégia simples de “ganhar no diferencial de juros” no AUD/USD (comprar a moeda com juros mais altos para tentar lucrar com esse retorno) fica menos atraente. Isso pode manter o par andando de lado (oscilando dentro de uma faixa) mesmo se o RBA continuar duro. Para traders de derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo, como opções e futuros), a oportunidade pode estar em se posicionar para força do AUD contra moedas de economias com estagflação (crescimento fraco ou parado com inflação alta). Por exemplo, com o PIB (Produto Interno Bruto, medida do tamanho da economia) da Zona do Euro no fim de 2025 quase zerado e a inflação ainda alta, o Banco Central Europeu pode ser forçado a aliviar a política (reduzir juros), tornando atrativa uma posição comprada em AUD/EUR (apostar na alta do AUD contra o euro). Estratégias com opções (contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender a um preço) que ganham com a alta do AUD/EUR podem servir de proteção (hedge, reduzir o risco) contra essa divergência. Também vale considerar que a Austrália está bem posicionada para se beneficiar de um choque positivo nos termos de troca (quando os preços do que o país exporta sobem em relação ao que importa). A recente recuperação do preço do minério de ferro para acima de US$ 120 por tonelada é um exemplo claro dessa força. Esse apoio das commodities (matérias-primas) é mais um motivo para montar operações que favoreçam a força do AUD contra moedas de grandes importadores de commodities.
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