Foco nas decisões do Fed e do BCE
Os mercados estão atentos às decisões de política monetária (decisões sobre juros e estímulos) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) na quarta-feira e do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira. A expectativa é que ambos mantenham as taxas de juros sem mudanças. Espera-se que o Fed mantenha os juros, já que a alta do petróleo ligada ao Estreito de Ormuz (rota marítima estratégica para o transporte de petróleo) empurrou as expectativas de inflação para cima. Dados do CME FedWatch (ferramenta que estima probabilidades de decisões do Fed com base em preços de contratos futuros) indicam expectativa de juros inalterados por mais quatro reuniões. O BCE também deve manter os juros, com a pressão de preços (força que empurra os preços para cima) permanecendo perto da meta de 2% por um período prolongado. Olhando para o final de 2025, vimos o dólar se fortalecer por riscos geopolíticos (riscos ligados a conflitos e política internacional) e por um salto do petróleo. O EUR/USD ficou pressionado perto de 1,1415, pois Fed e BCE eram esperados manter os juros. Isso criou um período de incerteza em que uma postura defensiva (priorizar proteção em vez de ganho) foi importante.Mudança no cenário macroeconômico
O sentimento “risk-off” diminuiu, e os conflitos que levaram o Brent (petróleo de referência global) acima de US$ 110 por barril no fim de 2025 perderam força. Nesta manhã, o Brent é negociado mais perto de US$ 85, reduzindo a ameaça de inflação que manteve o Fed parado. Isso muda o cenário em relação ao que se esperava há poucos meses. Com o risco do petróleo menor, a atenção volta para a inflação subjacente (inflação “núcleo”, que exclui itens muito voláteis como comida e energia), que caiu para 2,8% no relatório mais recente do CPI dos EUA (Índice de Preços ao Consumidor, indicador de inflação). Isso alterou as expectativas do mercado, e a ferramenta CME FedWatch agora aponta probabilidade de quase 70% de corte de juros do Fed até julho de 2026. Esse movimento acontece quando um choque externo de inflação (alta causada por um fator fora da economia, como petróleo) perde força. Enquanto isso, o BCE enfrenta outro problema: dados recentes mostram o crescimento econômico da Zona do Euro desacelerando para apenas 0,4% ao ano. Embora a inflação esteja estável em 2,3%, o crescimento fraco aumenta a pressão sobre o BCE para considerar cortes de juros antes do Fed. Essa diferença de rumo (divergência de política monetária) é um tema importante daqui para frente. Com essa divergência, vemos chance de fraqueza no par EUR/USD. Traders (operadores) podem considerar comprar opções de venda (put options, contratos que ganham valor se o preço cair) no EUR/USD para se posicionar para uma possível queda. Em especial, opções com preço de exercício (strike, o preço definido no contrato) perto de 1,0950 e vencimento no terceiro trimestre de 2026 podem oferecer uma relação risco-retorno (equilíbrio entre possível perda e possível ganho) atrativa.
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