Perspectiva de política do RBNZ
O Banco Central da Nova Zelândia (Reserve Bank of New Zealand, RBNZ) manteve a taxa básica de juros (Official Cash Rate, a principal taxa usada para influenciar os juros do país) em 2,25% na reunião de fevereiro. O mercado já considera uma alta de 0,25 ponto percentual (25 “pontos-base”, que é uma forma padrão de medir mudanças pequenas em juros) em setembro de 2026. A alta das tensões no Oriente Médio, incluindo risco de interrupções no Estreito de Ormuz (rota marítima estratégica para transporte de petróleo), pode fortalecer o Dólar americano, porque cresce a procura por ativos mais seguros (investimentos vistos como proteção em momentos de medo). O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os EUA discutem com outros países a segurança do estreito, e que Israel trabalha com os EUA para proteger a rota. No fim de semana, forças dos EUA atingiram alvos militares na Ilha de Kharg, um centro de exportação de petróleo do Irã. O Irã disse que vai retaliar contra instalações de petróleo ligadas aos EUA na região.Implicações de mercado para o NZD/USD
Embora os dados chineses mais recentes de produção industrial e varejo no começo de 2026 tenham vindo acima do esperado, o mercado em grande parte ignorou essa notícia positiva para o Kiwi (Dólar da Nova Zelândia). A reação fraca sugere que os traders (operadores) estão bem mais preocupados com o tom “dovish” do RBNZ (isto é, inclinado a manter juros baixos) e com o sentimento global de risco (disposição do mercado para aceitar risco). Isso indica que a ligação tradicional do NZD com a economia chinesa está sendo deixada em segundo plano por fatores mais fortes. A diferença de política entre bancos centrais é um fator importante. O RBNZ está parado em 2,25%, e o mercado não espera alta antes de setembro, enquanto a taxa do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) está em 3,50%. Essa diferença de 1,25 ponto percentual a favor do Dólar americano torna mais caro manter posição comprada em Kiwi e incentiva um “carry trade” (estratégia de buscar juros maiores), vendendo NZD para carregar USD. Nesse cenário, vemos pouco espaço de alta para o par NZD/USD nas próximas semanas. O medo no mercado, medido pelo índice VIX (indicador de volatilidade, que sobe quando o mercado fica mais nervoso), passou de 20, bem acima do nível abaixo de 15 que predominou em boa parte de 2025. Em períodos de “risk-off” (fuga de risco), moedas ligadas a commodities (produtos básicos, como leite, metais e energia), como o Kiwi, costumam ter desempenho pior, porque investidores priorizam proteger o capital. Para traders que usam derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo, como opções), isso favorece estratégias que ganham com queda ou com o NZD/USD andando de lado. Comprar opções de venda (put, que tende a ganhar quando o preço cai) com preço de exercício abaixo de 0,5750 pode ser uma forma direta de lucrar se houver recuo. Outra alternativa é montar um “bear call spread” (estratégia com duas opções de compra para limitar risco), vendendo uma opção de compra perto de 0,5850 e comprando outra com preço de exercício mais alto, para gerar renda e limitar perdas. A pressão interna aumenta com o último leilão Global Dairy Trade (plataforma internacional que mede preços de lácteos), que mostrou queda de 1,8% no preço do leite em pó integral, piorando os termos de troca da Nova Zelândia (relação entre preços do que o país exporta e do que importa). Em 2022, houve algo parecido: um Fed mais duro (“hawkish”, isto é, inclinado a subir juros) e a incerteza global derrubaram o NZD/USD. Isso sugere que, com um RBNZ mais “dovish” e um mercado global com medo, o caminho mais provável para o Kiwi é de baixa.
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