Perspectiva para o comércio no curto prazo
Parte da piora de janeiro deve ser revertida em fevereiro. A alta nos preços de energia ligada ao conflito no Oriente Médio deve aumentar as exportações líquidas do Canadá (quando o país vende mais ao exterior do que compra) em março. O comércio no início de 2026 ocorre com uma política comercial mais estável. Em janeiro, 89,5% das exportações foram para os EUA sem tarifa (sem imposto de importação), acima de 89,2% em dezembro. O mercado de trabalho melhorou por pessoa, com a taxa de desemprego caindo levemente nos últimos meses. A demanda interna (consumo e investimento dentro do país) continuou crescendo no geral. O déficit comercial do Canadá aumentou para US$ 3,6 bilhões em janeiro, o que está reduzindo o crescimento do PIB no primeiro trimestre. Essa fraqueza veio da queda de 4,7% nas exportações, trazendo um tom mais negativo. Os dados iniciais indicam impacto ruim na economia, o que pode pressionar o dólar canadense.Estratégia de câmbio baseada no comércio exterior
Mesmo assim, vemos a fraqueza de janeiro como temporária, muito influenciada por envios instáveis de ouro e carros (que variam muito de um mês para outro). O fator principal nas próximas semanas é o conflito no Oriente Médio, que deve aumentar as exportações líquidas em março. Dados recentes confirmam isso, com o preço do petróleo WTI (West Texas Intermediate, um tipo de petróleo usado como referência nos EUA) subindo acima de US$ 95 por barril, nível não visto desde o fim de 2024. Isso pode criar uma oportunidade para traders (pessoas que operam no mercado) apostando em um “loonie” (apelido do dólar canadense) mais forte no curto prazo. O dado negativo de janeiro pode já estar “no preço” (ou seja, o mercado já pode ter levado isso em conta). Por isso, consideramos opções de compra (call options, um contrato que dá o direito de comprar uma moeda a um preço definido até uma data) de dólar canadense com vencimento no fim de abril ou maio. Essa estratégia lucraria com a melhora esperada nos números de fevereiro e março. A moeda ficou atrás por boa parte de 2025 porque a política de juros do Canadá tomou um rumo diferente da dos EUA. Uma recuperação forte nas exportações de energia pode mudar isso. O cenário estável de comércio com os EUA, onde quase 90% das exportações não pagam tarifa, dá uma base sólida para essa visão. Além disso, a economia doméstica segue resistente, com a taxa de desemprego em 5,7% e sinais de aumento da demanda. Essa força, junto com a inflação subindo para 2,9% em fevereiro (inflação é a alta geral de preços), reduz a chance de o Banco do Canadá cortar juros. Esse apoio pode ajudar a moeda contra o dólar dos EUA.
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