Elias Haddad, do BBH, diz que os fluxos para ativos de refúgio e as necessidades de financiamento sob pressão sustentam o dólar americano no curto prazo

by VT Markets
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Mar 12, 2026
A BBH diz que o Dólar dos EUA pode ter apoio no curto prazo por causa da busca por segurança (quando investidores preferem ativos mais seguros em momentos de medo) e pela maior necessidade de financiamento em dólar durante períodos de estresse no mercado. Ela observa que a procura por financiamento em USD de curto prazo (empréstimos e captação por pouco tempo, normalmente dias ou meses) costuma aumentar quando os mercados ficam sob pressão. O banco relaciona isso ao papel central do dólar em: – **faturamento do comércio** (quando contratos de importação e exportação são precificados em dólar), – **empréstimos entre países** (crédito dado de um país para outro), – **emissão global de títulos** (venda de “papéis” de dívida no mercado internacional) e – **reservas cambiais** (moeda guardada por bancos centrais). Ele acrescenta que, em momentos de estresse, participantes fora dos EUA buscam dólares para garantir **liquidez** (dinheiro disponível para pagar contas e obrigações), **renovar dívidas** (trocar uma dívida que vence por outra nova) e cobrir necessidades de financiamento.

Suporte do Dólar no Curto Prazo

A BBH mantém uma visão de queda para o dólar no longo prazo, citando menor confiança na política comercial e de segurança dos EUA. Também aponta piora na credibilidade fiscal dos EUA (confiança do mercado na capacidade do governo de controlar gastos e dívidas) e maior politização do Federal Reserve (o banco central dos EUA, responsável por juros e inflação). Ela informa que o escritório do Representante de Comércio dos EUA iniciou investigações pela **Seção 301** da Lei de Comércio (um mecanismo legal que permite investigar e reagir a práticas comerciais consideradas injustas) para contornar uma limitação jurídica ligada a uma recente decisão da Suprema Corte sobre tarifas (impostos sobre importações). As investigações abrangem China, União Europeia, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia. No curto prazo, esperamos que o dólar encontre apoio pela busca por segurança à medida que o estresse do mercado aumenta. A recente alta do **VIX** (índice que mede o “medo” do mercado com base na volatilidade esperada do S&P 500) acima de 22, junto com o aumento dos **spreads de crédito** (diferença de juros cobrada de quem tem mais risco em relação a um título considerado seguro), indica uma corrida por liquidez em dólar para pagar dívidas de curto prazo. Operadores podem considerar **opções de compra** (“call”, um contrato que dá o direito de comprar um ativo por um preço definido) de vencimento curto no **DXY** (Índice do Dólar, que mede o dólar contra uma cesta de moedas) para aproveitar esse movimento de busca por segurança. Esse cenário sugere que pares como EUR/USD e AUD/USD podem sofrer pressão de queda nas próximas semanas. Vemos o Índice do Dólar, que recentemente passou do nível 105,50, testando novas altas à medida que participantes globais garantem financiamento. Usar **spreads de opções** (combinação de compra e venda de opções para reduzir custo e risco) pode ser uma forma eficaz de lidar com custos mais altos ligados ao aumento da **volatilidade implícita** (volatilidade “embutida” no preço das opções, que reflete a expectativa do mercado).

Riscos do Dólar no Longo Prazo

No entanto, não podemos ignorar as fraquezas estruturais (problemas mais profundos e duradouros) que se acumulam contra o dólar no longo prazo. A perda de confiança internacional na política comercial dos EUA, junto com dúvidas sobre a saúde fiscal (qualidade das contas públicas) e a independência do banco central (capacidade de decidir sem pressão política), cria ventos contrários relevantes. Esses fatores sugerem que qualquer força no curto prazo pode ser uma chance de se posicionar para uma queda futura. Olhando os dados de 2025, vimos o déficit do orçamento dos EUA (quando o governo gasta mais do que arrecada) crescer além do esperado, levando a relação dívida/PIB (dívida do país comparada ao tamanho da economia) a um recorde de 126% no último trimestre. A decisão recente de contornar a decisão da Suprema Corte sobre tarifas com novas investigações pela Seção 301 contra grandes parceiros comerciais reforça a percepção de uma política comercial instável. Esses não são problemas temporários, mas tendências profundas que provavelmente pressionarão o valor do dólar.

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