O WTI terminou a quinta-feira num mínimo de 18 semanas, apagando o prémio de risco que tinha levado o crude acima dos 110 dólares durante o conflito deste ano e trazendo o benchmark de volta a condições pré-guerra. Os preços estão agora abaixo da EMA de 50 períodos, perto dos 83 dólares, e da EMA de 200 períodos, próxima dos 78 dólares, à medida que o crescimento da oferta dos EUA, da Guiana e do Brasil coincide com inventários perto de máximos de vários anos. Apesar de um diferendo em curso sobre taxas cobradas pelo trânsito no Estreito de Ormuz, o mercado tem tratado o tema como um factor de custo marginal e não como uma ameaça imediata à oferta.
O foco da política monetária também mudou, à medida que a fraqueza do crude se traduz em menor inflação «headline». Esta dinâmica apoia uma Reserva Federal que pode manter as taxas inalteradas, com comentários a relacionarem o movimento com os dados fracos do emprego nos EUA divulgados esta semana, enquanto preços na faixa dos 60 dólares altos reforçam o impulso desinflacionista. Do ponto de vista técnico, a resistência situa-se nos 70 dólares e depois nos 72 dólares, enquanto o suporte é visto perto dos 65 dólares e na zona dos 60 dólares baixos; os indicadores de momentum continuam esticados, com o Stoch RSI diário perto de 6.
Excesso de oferta e fraqueza da procura dominam o sentimento de mercado
Estamos agora a negociar num mercado em que o prémio de guerra desapareceu por completo, deixando os preços num mínimo de 18 semanas. O mais recente relatório da Energy Information Administration (EIA), divulgado na semana passada, confirmou um aumento dos inventários de crude de 3,5 milhões de barris, contrariando as expectativas de uma redução e reforçando a narrativa de excesso de oferta. Esta realidade fundamental — demasiado petróleo — é agora o principal motor do preço.
O excedente de oferta não é uma teoria; a produção de crude dos EUA mantém-se perto de máximos históricos, em 13,4 milhões de barris por dia, de acordo com os dados de Junho. Entretanto, não há catalisadores de procura à vista, como evidencia o mais recente PMI industrial (manufacturing) da China para Junho, que recuou para 49,8, sinalizando contracção económica. Historicamente, este desalinhamento entre oferta elevada e enfraquecimento da procura, observado após o pico de preços de 2022, conduz a um período prolongado de preços mais baixos.
Vemos as ameaças em torno do Estreito de Ormuz como ruído político, e não como um risco real de oferta. Mesmo depois de responsáveis iranianos terem reiterado na quarta-feira o plano de «taxa de serviço», o mercado caiu, provando que interpreta isto como um simples imposto e não como um bloqueio. Teerão precisa que o petróleo continue a fluir para cobrar a taxa, o que tornaria um encerramento contraproducente para os seus próprios objectivos.
Estratégia e perspectiva técnica para as próximas semanas
Perante isto, a estratégia para as próximas semanas passa por usar qualquer recuperação em direcção à zona dos 70-72 dólares por barril como oportunidade para iniciar posições baixistas. Para traders de derivados, isto pode significar comprar puts ou montar put spreads para beneficiar de novas quedas, ao mesmo tempo que se define o risco. Não nos interessam teses altistas até que o quadro fundamental mude de forma significativa.
No entanto, com os indicadores de momentum tão profundamente em sobrevenda, não estamos a perseguir o preço para níveis mais baixos neste momento. A paciência é essencial e aguardaremos por um rali de alívio que ofereça melhores pontos de entrada para novos «shorts». Estes ressaltos breves e acentuados são comuns em tendências descendentes fortes e proporcionam oportunidades de risco-retorno mais favoráveis.
A nossa convicção baixista manter-se-á intacta a menos que o WTI recupere a média móvel de 200 períodos, actualmente perto dos 78 dólares. Uma ruptura sustentada acima desse nível sinalizaria uma mudança estrutural, obrigando-nos a abandonar posições curtas. Caso contrário, o caminho de menor resistência continua a ser em baixa, com níveis de suporte perto dos 65 dólares e depois na zona dos 60 dólares baixos.
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