Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu, afirmou que continuam a ser necessárias novas subidas das taxas de juro para fazer regressar a inflação ao objetivo de 2% do BCE. Acrescentou que um cessar-fogo não seria um sinal para aliviar a vigilância e defendeu que as taxas diretoras ainda não são restritivas. O calendário e a magnitude de quaisquer movimentos adicionais, disse, dependerão da evolução da guerra, da inflação e do crescimento, enquanto a economia dá sinais de relativa resiliência.
As ferramentas de monitorização do mercado também apontaram para uma postura mais dura. O FXS Speech Tracker atribuiu a Schnabel uma pontuação de 8,6 face a uma média histórica de 7,1, indicando uma mudança para uma comunicação mais “hawkish”. Os comentários mantiveram vivas as expectativas de continuação do aperto, com a referência à resiliência a sustentar margem para novas subidas, enquanto a observação sobre o cessar-fogo enquadrou os riscos de inflação como persistentes.
Trajetória das taxas de juro e implicações no FX
A nossa perspetiva é que são necessárias mais subidas das taxas de juro para levar a inflação ao objetivo de 2%. Com os mais recentes dados de inflação subjacente de maio de 2026 na Zona Euro a manterem-se teimosamente elevados em 3,1%, a trajetória das taxas diretoras é claramente ascendente. Acreditamos que o mercado continua a subestimar a determinação do Banco Central Europeu.
Tendo em conta o apoio explícito ao euro, devemos considerar a compra de opções de compra (calls) sobre EUR/USD para capitalizar uma esperada apreciação cambial. O par tem mostrado força ao testar recentemente o nível de 1,10, oferecendo um piso técnico sólido para posicionamentos em alta. Esta estratégia permite risco definido, capturando simultaneamente o potencial de valorização decorrente de uma política do banco central mais agressiva.
Estratégias de mercado num ciclo de aperto monetário
Acreditamos que a economia europeia revela resiliência suficiente para suportar mais aperto, sobretudo com o crescimento do PIB no 1.º trimestre de 2026 a fixar-se num respeitável 0,4%. Isto justifica posicionamento para taxas de juro de curto prazo mais elevadas através de contratos de futuros sobre o Euribor. O mercado de futuros está a incorporar pelo menos mais duas subidas até ao outono, o que vemos como cenário de base.
Historicamente, ciclos de subida determinados como o que atravessamos tendem a aumentar a volatilidade das taxas e a achatar a curva de rendimentos. Devemos procurar operações que beneficiem do estreitamento do diferencial entre as yields a 2 e a 10 anos. Posições longas em volatilidade através de opções sobre futuros de obrigações também poderão revelar-se rentáveis, à medida que o mercado assimila o calendário e a dimensão de futuras subidas.
Taxas de juro mais elevadas funcionam como um fator adverso para as ações, pelo que precisamos de reforçar a proteção em baixa nas carteiras. Vemos valor na compra de opções de venda (puts) sobre índices alargados como o Euro Stoxx 50. Trata-se de uma cobertura prudente face ao potencial de custos de financiamento mais altos começarem a pressionar os resultados empresariais e o sentimento de mercado nas próximas semanas.
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