A produção industrial do Brasil recuou 0,2% em cadeia em maio, ficando aquém da previsão de 0,3%. O resultado assinala um regresso à contração, após o dinamismo do período anterior não ter tido continuidade.
A surpresa em baixa reforça um quadro de curto prazo mais frágil para a atividade industrial e pode manter o foco em como a procura interna e as condições de financiamento estão a repercutir-se na produção. Os mercados irão agora acompanhar as próximas divulgações para confirmar se maio foi um revés isolado ou o início de uma fase mais fraca.
Produção Industrial Mais Fraca Põe em Causa a Narrativa de Recuperação
A queda inesperada de 0,2% na produção industrial de maio, contra expectativas de uma subida de 0,3%, sugere que o motor da economia brasileira está a perder fôlego. Este dado, por si só, desafia a narrativa de uma recuperação constante e aponta para fragilidades subjacentes. Interpretamos isto como um sinal claro para nos posicionarmos para uma maior suavização económica no terceiro trimestre.
Posicionamento Estratégico de Mercado em Ambiente de Incerteza Cambial e de Política
Consequentemente, estamos a considerar posições baixistas no índice Ibovespa, que tem tido dificuldade em manter o patamar dos 120.000 pontos. A compra de opções put sobre ETFs ligados ao Ibovespa oferece uma forma de risco definido para beneficiar de uma potencial queda das ações brasileiras. Historicamente, surpresas negativas sustentadas na indústria têm frequentemente antecedido correções mais amplas do mercado por várias semanas.
O real brasileiro está particularmente vulnerável, pelo que estamos a aumentar as nossas posições longas em dólar norte-americano face à moeda brasileira. Com a taxa de câmbio USD/BRL já a testar o nível de 5,45, estes dados domésticos fracos podem ser o catalisador para a empurrar em direção a 5,60. Estamos a utilizar opções call sobre o par USD/BRL para capitalizar a volatilidade esperada e a depreciação cambial.
Esta situação complica a tarefa do banco central, uma vez que os dados recentes de inflação continuam a oscilar ligeiramente abaixo de 4%. Embora estes dados fracos de crescimento reduzam as expectativas de subidas de taxas, a persistência da inflação torna improváveis cortes de juros, por agora. Esta paralisia de política pode gerar mais incerteza, o que tende a beneficiar a detenção de uma moeda de refúgio como o dólar norte-americano.
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