Os preços do ouro nos Emirados Árabes Unidos recuaram na sexta-feira, de acordo com dados da FXStreet. O metal foi cotado a 473,26 AED por grama, abaixo dos 475,45 AED de quinta-feira, enquanto o preço por tola desceu para 5.519,92 AED, face aos 5.545,58 AED. A FXStreet indicou ainda um custo de 4.732,54 AED por 10 gramas e de 14.719,60 AED por onça troy, com base na cotação internacional convertida via USD/AED; os valores são atualizados diariamente no momento da publicação e podem divergir das taxas do mercado local.
O ouro é habitualmente encarado como uma reserva de valor, uma cobertura contra a inflação e um refúgio em períodos de turbulência nos mercados, não dependendo de um único emissor. Os bancos centrais são os maiores detentores e, em 2022, adicionaram 1.136 toneladas, avaliadas em cerca de 70 mil milhões de dólares, segundo o World Gold Council. Nos mercados em geral, o ouro tende a mover-se de forma inversa ao dólar norte-americano e às obrigações do Tesouro dos EUA, podendo enfraquecer quando as ações sobem; a sua direção também costuma refletir as expectativas quanto às taxas de juro e oscilações em XAU/USD.
Movimento de Preços no Curto Prazo e Fatores Macroeconómicos
Vemos a pequena queda de hoje nos preços do ouro como um recuo temporário, e não como uma mudança na tendência subjacente. Tendo em conta as persistentes tensões geopolíticas e as incertezas económicas, o papel do ouro enquanto ativo de refúgio mantém-se plenamente intacto. Esta ligeira fraqueza poderá representar um ponto de entrada estratégico para as próximas semanas.
O principal fator que influencia a nossa visão é a perspetiva para as taxas de juro, já que o ouro tende a ter melhor desempenho num ambiente de taxas mais baixas. A ferramenta CME FedWatch indica agora uma probabilidade de 75% de mais um corte de taxas por parte da Reserva Federal até ao final do terceiro trimestre de 2026. Esta expectativa de flexibilização monetária é historicamente favorável a ativos sem rendimento como o ouro.
Este cenário para as taxas de juro está a pressionar o dólar norte-americano, que tem uma relação inversa com o ouro. O índice do dólar (DXY) tem negociado abaixo do nível de 103 há várias semanas, e uma continuação da queda tornaria o ouro mais barato para detentores de outras moedas. Acreditamos que esta dinâmica funcionará como um importante vento favorável para o metal precioso.
Procura dos Bancos Centrais e Perspetivas de Investimento
Estamos igualmente encorajados pela procura forte e consistente por parte dos bancos centrais, que proporciona um piso sólido aos preços. Dados do World Gold Council relativos a 2025 mostraram que os bancos centrais a nível global acrescentaram mais de 1.050 toneladas às suas reservas, assinalando o terceiro ano consecutivo de compras perto desse nível recorde. Esta procura institucional ajuda a absorver quaisquer quedas temporárias no mercado.
Tendo este enquadramento em conta, estamos a posicionar-nos para volatilidade em alta nas próximas semanas. Consideramos que a compra de opções de compra (call options) sobre os principais ETFs de ouro apresenta o melhor perfil risco-retorno. Tal permite-nos beneficiar de uma potencial subida impulsionada por cortes de taxas esperados, limitando de forma estrita o risco de perda ao prémio pago.
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