A subida dos preços do petróleo e a escalada das tensões no Golfo provocaram um movimento mais acentuado nas taxas dos EUA do que no mercado cambial, com o Brent a tocar brevemente nos 80 USD/barril e a dar suporte a um enquadramento mais hawkish da Reserva Federal. O dólar norte-americano manteve-se mais firme face a moedas de baixo rendimento, enquanto operações de carry trade em Mercados Emergentes foram desfeitas. O Índice do Dólar dos EUA (DXY) é visto em torno de 101,00, com margem para regressar na direção de 101,50.
O mais recente foco de tensão surgiu após uma alegada rutura nas negociações EUA-Irão e uma troca de fogo que se prolongou durante a noite, incluindo ataques militares dos EUA a alvos de infraestruturas no norte do Iraque, descritos como o primeiro ataque deste tipo a infraestruturas desde o início de abril. Em paralelo, as atas do Federal Open Market Committee (FOMC) de junho delinearam dois cenários para as taxas: um corte mais tardio caso a inflação abrande, ou uma subida mais cedo caso a inflação se mantenha elevada. Os mercados mostraram uma reação imediata limitada no dólar e nas taxas dos EUA, sugerindo que a atenção poderá deslocar-se para a próxima semana para uma orientação mais clara por parte da Fed.
Perspetiva da Fed Reforçada pelos Preços do Petróleo e pela Inflação
Os preços elevados da energia, com o crude Brent a ultrapassar recentemente os 95 USD por barril, estão a reforçar a posição hawkish da Reserva Federal. As tensões renovadas no Estreito de Ormuz aumentaram as expectativas para as taxas de juro de curto prazo. Este enquadramento proporciona suporte fundamental a um dólar norte-americano mais forte.
Os dados recentes de inflação, que se fixaram num persistente 3,4% no mês passado, complicam o caminho da Fed rumo ao alívio da política monetária. Os futuros sobre a taxa dos fed funds estão agora a refletir menos de 50% de probabilidade de um corte de taxas antes do final do ano. Acreditamos que esta dinâmica manterá o dólar bem suportado em qualquer correção.
Força do Dólar e Aumento da Volatilidade de Mercado
Consequentemente, vemos o Índice do Dólar dos EUA, atualmente a negociar em torno de 106,50, com potencial para testar o nível de 107,00 nas próximas semanas. Os traders de derivados deverão considerar posições long em dólar, particularmente contra moedas de baixo rendimento como o iene japonês. O amplo diferencial de taxas de juro torna estratégias como a compra de opções call sobre USD/JPY atrativas, sobretudo numa fase em que o par testa máximos de várias décadas.
Esta força do dólar está a provocar o desmantelamento de operações de carry trade populares em alguns mercados emergentes. A volatilidade de mercado aumentou, com o índice VIX a subir a partir dos mínimos abaixo de 14 registados ainda no mês passado, tornando estas operações mais arriscadas. Seríamos cautelosos em manter posições não cobertas em moedas de elevado rendimento até que a situação geopolítica estabilize.
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