Os preços do petróleo caíram à medida que cresce o otimismo em torno das conversações EUA–Irão e da perspetiva de reabertura do Estreito de Ormuz. A equipa de Commodity Research do Commerzbank afirma que o mercado está a reagir a expectativas de condições de oferta mais folgas, com a atenção a voltar-se para as próximas projeções da EIA e para a possibilidade de a OPEP+ ajustar as quotas. A avaliação do banco aponta que a fraqueza dos preços está a ser impulsionada pela antecipação de um excesso de oferta, e não por evidência de que esse excesso já se tenha materializado.
O Commerzbank espera que os preços do petróleo permaneçam altamente sensíveis a novos desenvolvimentos na região. Acrescenta que, após um acordo-quadro, é provável que a produção se tenha estabilizado em junho, levando a EIA a rever ligeiramente em alta as suas previsões de oferta de petróleo para o segundo semestre do ano. Embora um grande aumento das quotas da OPEP+ seja considerado improvável, o banco diz que o grupo poderá ainda assim ceder algum terreno à pressão e argumenta que a atual ação de preços não é consistente com os dados disponíveis.
Sentimento de Mercado Versus Dados de Oferta
Estamos a observar uma divisão clara entre o sentimento do mercado e os dados efetivos de oferta de crude. Os preços recuaram recentemente para perto de 78 dólares por barril, uma descida significativa face a há apenas algumas semanas, assente sobretudo no otimismo em torno das conversações diplomáticas entre os EUA e o Irão. Este movimento parece estar a antecipar um potencial excesso de oferta que ainda não se materializou.
Os dados mais recentes contradizem esta tendência baixista dos preços. Por exemplo, o último relatório da EIA mostrou uma redução de 2,5 milhões de barris nas existências de crude, sinalizando uma oferta mais apertada do que aquela que o mercado está atualmente a refletir nos preços. Isto sugere que a recente vaga de vendas assenta mais em expectativas de oferta futura do que na realidade do mercado físico no presente.
As manchetes geopolíticas sobre a potencial reabertura do Estreito de Ormuz são o principal motor deste sentimento fraco, mas um acordo final está longe de ser certo. Historicamente, estes processos diplomáticos são longos e propensos a contratempos, o que poderá levar a uma inversão acentuada dos preços se as conversações falharem. O atual otimismo do mercado representa uma vulnerabilidade.
O posicionamento especulativo reflete esta viragem para um cenário mais negativo: os mais recentes dados da CFTC mostram que o “managed money” reduziu as suas posições líquidas longas em crude WTI em mais de 15% no último mês. Isto indica que os traders estão a liquidar posições longas, criando condições em que qualquer notícia favorável poderá desencadear um “short squeeze”. Vemos isto como uma sobrecorreção impulsionada pelo risco associado às manchetes.
Oportunidades de Trading e Catalisadores-Chave
Tendo em conta esta divergência, consideramos que a volatilidade implícita nas opções sobre petróleo é atrativa. Os traders devem ponderar estratégias que beneficiem de uma potencial recuperação ou estabilização dos preços, como a compra de “call spreads” ou a venda de “puts” fora-do-dinheiro. Estas posições permitem capitalizar a discrepância entre o receio do mercado e os fundamentos subjacentes.
Os catalisadores-chave nas próximas semanas incluirão a próxima reunião da OPEP+ e as previsões atualizadas da EIA para o segundo semestre do ano. Embora a OPEP+ possa sentir pressão para aumentar ligeiramente as quotas, qualquer sinal de manutenção da disciplina por parte do grupo poderá rapidamente eliminar a recente fraqueza dos preços. Devemos posicionar-nos para a possibilidade de que as atuais expectativas do mercado sejam demasiado pessimistas.
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