O Banco Popular da China manteve inalteradas, na segunda-feira, as suas Loan Prime Rates (LPR), deixando a LPR a um ano em 3,00% e a taxa a cinco anos em 3,50%. A decisão teve um impacto discreto nos mercados cambiais: o dólar australiano, frequentemente encarado como um proxy da exposição à China, reagiu pouco, com o AUD/USD a subir 0,02% na sessão, para 0,6983.
O mandato declarado do PBoC é salvaguardar a estabilidade de preços, incluindo a estabilidade cambial, promovendo simultaneamente o crescimento económico e prosseguindo reformas financeiras, como a abertura e o desenvolvimento dos mercados financeiros. A instituição é detida pelo Estado da República Popular da China e, por isso, não é autónoma; o secretário do comité do Partido Comunista Chinês, nomeado pelo presidente do Conselho de Estado, define a sua gestão e orientação, sendo que Pan Gongsheng acumula atualmente ambos os cargos. Entre os instrumentos de política contam-se a taxa de reverse repo a sete dias, a Medium-term Lending Facility e a intervenção cambial, a par do rácio de reservas obrigatórias (RRR). A China tem também 19 bancos privados e, em 2014, começou a permitir que instituições domésticas, totalmente capitalizadas por fundos privados, operassem no seu sistema dominado pelo Estado.
Expectativas de Baixa Volatilidade para os Mercados da Ásia-Pacífico
Com o Banco Popular da China a manter hoje a LPR de referência a um ano em 3,00% e a LPR a cinco anos em 3,50%, acreditamos que os traders de derivados devem preparar-se para um período de baixa volatilidade nos mercados da Ásia-Pacífico. O dólar australiano, que funciona como um proxy líquido da saúde económica chinesa, mal se mexeu com a notícia, subindo apenas 0,02% para negociar em 0,6983. Esta reação plana sugere que o mercado já tinha incorporado esta pausa nos preços, pelo que estratégias agressivas de “breakout” em ativos expostos à China dificilmente deverão compensar nas próximas semanas.
Historicamente, quando o AUD/USD se aproxima do patamar psicológico-chave de 0,7000, enfrenta forte pressão vendedora, a menos que seja sustentado por um afrouxamento monetário agressivo na China. Tendo em conta a estabilidade das taxas e o crescimento recente das vendas a retalho na China, em torno de uns modestos 3,2% em termos homólogos, recomendamos que os traders recorram a estratégias de opções em “range”. Em particular, a venda de strangles out-of-the-money no AUD/USD poderá ser uma forma altamente rentável de capturar a erosão do prémio nas próximas duas semanas.
Implicações para Derivados de Rendimento Fixo e de Matérias-Primas
No segmento de derivados de rendimento fixo, devemos concentrar-nos em swaps de taxa de juro (IRS) chineses, que refletem um cenário interno mais estável face a anteriores ciclos de cortes agressivos. O crescimento mais recente do PIB no 2.º trimestre, de 4,7%, indica que a economia está a estabilizar lentamente, reduzindo a necessidade imediata de o PBOC voltar a cortar o rácio de reservas obrigatórias (RRR). Os traders de derivados devem procurar posicionar-se para curvas de rendimentos planas nos swaps onshore, uma vez que as taxas de curto prazo deverão permanecer ancoradas em torno dos níveis atuais.
Nos derivados de matérias-primas, em particular no cobre e no minério de ferro, a ausência de novo estímulo monetário por parte de Pequim sinaliza um travão temporário nas expectativas de procura. Como estes metais industriais têm historicamente recuado entre 3% e 5% após anúncios de LPR inalteradas durante ciclos fracos no imobiliário, preferimos comprar opções put de curto prazo para cobrir carteiras longas em matérias-primas. Esta postura defensiva ajudará a proteger capital enquanto aguardamos uma ação de política mais decisiva por parte das autoridades chinesas ainda neste trimestre.
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