O inquérito Decision Maker Panel (DMP) do Reino Unido referente a junho mostrou uma descida das expectativas de inflação a um ano para 3,3%, face a 3,7% em maio, enquanto a métrica a três anos se manteve em 2,9%, comparando com 2,7% antes do conflito. Em contraste com a leitura mais moderada da inflação no curto prazo, as intenções de fixação de preços das empresas para os próximos 12 meses permaneceram em 4,0%. Numa base suavizada por três meses, essa métrica subiu ligeiramente para 4,1%.
As expectativas de crescimento salarial também avançaram marginalmente, subindo para 3,5% em junho, face a 3,4% em maio. Os números apontam para pressões persistentes sobre preços e remunerações, mesmo com o arrefecimento das expectativas de inflação no horizonte mais curto, e sugerem que a descida dos preços da energia poderá demorar mais tempo a refletir-se nas expectativas das empresas. Os dados, por si só, não indicam uma alteração no equilíbrio de opiniões quanto a uma manutenção em julho por parte do Comité de Política Monetária (MPC).
Perspetivas de Política do Banco de Inglaterra e Posicionamento de Mercado
Acreditamos que o Banco de Inglaterra deverá manter as taxas de juro na próxima reunião de julho, uma vez que o inquérito DMP sugere que as pressões subjacentes sobre os preços permanecem. Esta visão é corroborada pelo mercado de futuros SONIA, que atualmente incorpora uma probabilidade superior a 80% de ausência de alterações na Bank Rate. Assim, estratégias que beneficiam de baixa volatilidade no curto prazo — como a venda de straddles em opções de short-sterling com vencimento após a decisão de julho — parecem atrativas.
Esta perspetiva é reforçada por estatísticas oficiais: a leitura mais recente do IPC mostrou a inflação subjacente (core) num persistente 3,8%. Do mesmo modo, o crescimento salarial — que o ONS reportou em 4,0% para os três meses até maio — continua demasiado elevado para o conforto do MPC. Estes números sustentam a conclusão do inquérito de que as empresas esperam continuar a aumentar salários e preços, apesar da descida da inflação headline.
Implicações para a Curva de Rendimentos e para a Moeda
Perante este enquadramento, esperamos uma “manutenção hawkish” por parte do MPC em julho, mantendo as taxas inalteradas mas sinalizando uma postura cautelosa nas próximas reuniões. Isto poderá levar a um acentuar da inclinação da curva de rendimentos do Reino Unido (steepening), tornando viáveis estratégias de curve steepener que apostam numa subida das taxas de longo prazo relativamente às de curto prazo. Historicamente, bancos centrais que sinalizam uma pausa prolongada após um ciclo de subida de taxas frequentemente observam este tipo de reação na curva.
Esta divergência de política também deverá dar suporte à libra, sobretudo face a moedas cujos bancos centrais sejam mais dovish. Por exemplo, com o Banco Central Europeu já a ter iniciado o seu ciclo de cortes em junho de 2026, o diferencial de taxas favorece a detenção de libras. Vemos valor em utilizar opções para posicionamento para um reforço adicional do GBP/EUR nas próximas semanas.
Comece a negociar agora — clique aqui para criar a sua conta real da VT Markets.