O ouro (XAU/USD) saltou mais de 2% na quinta-feira para 4.361 dólares, ultrapassando a média móvel simples (SMA) de 100 dias perto de 4.320 dólares, à medida que yields norte-americanos mais fracos e um dólar mais brando superaram o mais recente aperto da Reserva Federal. O West Texas Intermediate (WTI) recuou cerca de 0,16%, enquanto o Índice do Dólar dos EUA (DXY) caiu 0,12% para 100,22; em paralelo, as yields das Treasuries dos EUA desceram 7 pontos-base para 4,949%. A Fed subiu as taxas em 25 pontos-base para um intervalo de 3,75%–4% e o seu dot plot aponta para a fed funds rate em torno de 4,10% no final de 2026. Os mercados atribuíam uma probabilidade de 53% a uma nova subida na reunião de outubro, segundo a Prime Terminal.
Os pedidos de subsídio de desemprego nos EUA na semana terminada a 12 de setembro abrandaram para 196 mil, face a 206 mil, abaixo da previsão de 208 mil; na sexta-feira, está prevista a divulgação da Produção Industrial de agosto, a par de declarações da governadora da Fed Michelle Bowman. Entre os níveis técnicos a monitorizar contam-se resistências em 4.400 dólares, depois 4.450 e 4.500, seguindo-se a SMA de 200 dias em 4.540. O suporte situa-se na SMA de 100 dias em torno de 4.323 dólares, depois 4.300, a SMA de 50 dias em 4.283 e 4.202. Em separado, os bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro, avaliadas em cerca de 70 mil milhões de dólares, em 2022, segundo dados do World Gold Council.
Estratégias de Trading e Níveis Técnicos
Recomendamos que os traders de derivados acompanhem de perto o nível de resistência nos 4.367 dólares nos próximos dias, para confirmar um breakout altista sustentado. Se o ouro fechar acima deste patamar, deveremos considerar a compra de opções call de curto prazo ou a entrada em posições long em futuros, com objetivos em 4.400 e 4.450 dólares. Este impulso altista é fortemente suportado por um padrão clássico de “bullish engulfing” no gráfico diário, sinalizando que, neste momento, os compradores estão no controlo.
Embora a Reserva Federal tenha recentemente subido as taxas para o intervalo de 3,75%–4%, a queda das yields das Treasuries está a criar um ambiente favorável para a valorização do ouro. Historicamente, os dados macro indicam que uma descida de 100 pontos-base nas yields reais tende a impulsionar o preço do ouro em 10% a 15%, tornando muito relevante, para o pricing de opções, a descida atual das yields para 4,949%. Os traders de derivados podem tirar partido desta relação inversa através de call spreads, para limitar o custo do prémio e, ainda assim, captar o potencial de subida.
Suporte de Mercado e Gestão de Risco
Devemos também recordar que a procura estrutural permanece extremamente forte, proporcionando uma rede de segurança sólida contra quedas súbitas do mercado. Dados recentes do World Gold Council mostram que os bancos centrais a nível global têm comprado de forma consistente mais de 1.000 toneladas de ouro por ano, o que ajuda a manter os preços estáveis durante movimentos mais amplos do mercado. Este forte apoio institucional significa que quaisquer recuos de curto prazo em direção à média móvel simples de 100 dias, nos 4.323 dólares, devem ser encarados como oportunidades de compra sólidas, e não como motivo para pânico.
Para proteger o capital, devemos definir stop-losses rigorosos ou gatilhos de saída imediatamente abaixo do suporte-chave dos 4.300 dólares. Se o preço cair abaixo da média móvel simples de 100 dias (4.323 dólares), deveremos ajustar rapidamente a estratégia e considerar a compra de puts de proteção. Uma quebra abaixo deste nível poderá facilmente desencadear uma vaga vendedora até à média móvel simples de 50 dias, nos 4.283 dólares.
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