A libra esterlina manteve-se estável face ao dólar norte-americano na sexta-feira, a rondar 1,3350-1,3370, e continuou bem encaminhada para terminar a semana em alta. O par GBP/USD foi descrito como a consolidar em torno de 1,3350, enquanto as tentativas de queda foram limitadas perto de 1,3370, num contexto de fraqueza generalizada do dólar.
A avaliação do mercado refletiu um aumento das dúvidas de que a Reserva Federal venha a subir as taxas de juro na reunião de setembro, uma mudança associada a um relatório de emprego (Nonfarm Payrolls) nos EUA mais fraco do que o esperado. Neste enquadramento, o GBP/USD posicionava-se para ganhos semanais superiores a 1%, enquanto outra métrica apontava para uma subida semanal de 1,3%, o melhor desempenho semanal em três meses. Os mercados norte-americanos deveriam permanecer encerrados na sexta-feira, devido ao Dia da Independência.
Dados do mercado de trabalho dos EUA e divergência de políticas
Tendo em conta a fraqueza generalizada do dólar norte-americano, consideramos o recente relatório de Nonfarm Payrolls um acontecimento determinante para as próximas semanas. A criação de apenas 95 mil postos de trabalho em junho, bem abaixo do consenso de 180 mil, fragiliza de forma significativa o argumento a favor de uma subida de taxas em setembro por parte da Reserva Federal. Isto reforça uma tendência que temos acompanhado, na sequência de um recente relatório do IPC (CPI) nos EUA que mostrou a inflação a moderar para 2,8%.
Isto cria uma divergência clara de política monetária que favorece a libra, uma vez que o Banco de Inglaterra continua a lidar com um crescimento robusto dos salários no Reino Unido, reportado pela última vez a uma taxa anual de 4,5%. Acreditamos que esta diferença nas perspetivas dos bancos centrais será o principal motor da taxa de câmbio GBP/USD. O mercado está rapidamente a retirar do preço novas subidas de taxas pela Fed, enquanto a pressão se mantém sobre o BoE para continuar com um tom restritivo.
Estratégia de trading e perspetivas
Para os traders de derivados, este aumento acentuado da incerteza em torno da trajetória da Fed sugere que é provável uma subida da volatilidade implícita. Vemos valor em estratégias que beneficiem de maiores oscilações de preço, como a compra de opções call sobre GBP/USD para obter exposição a subidas com risco limitado. Historicamente, quando as ações futuras da Fed se tornam tão incertas, correções acentuadas ou rallies tendem a seguir-se a divulgações inesperadas de dados.
Assim, estamos a ajustar o nosso posicionamento no sentido de favorecer um reforço adicional da libra face ao dólar. Através de contratos de futuros, procuraremos uma rutura sustentada acima do nível de 1,3400 como confirmação da próxima perna de subida. Os traders devem manter-se ágeis, pois a liquidez de mercado será reduzida inicialmente após o feriado de 4 de julho.
As atenções centram-se agora no próximo conjunto de dados de inflação nos EUA para confirmar esta tendência de arrefecimento. Uma leitura do IPC abaixo do esperado deverá consolidar a perceção do mercado de que o ciclo de aperto monetário da Fed terminou. Até lá, esperamos que o dólar permaneça sob pressão.
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