O Irão pediu à milícia Houthi do Iémen que esteja preparada para encerrar a rota petrolífera do Mar Vermelho caso os Estados Unidos ataquem infraestruturas energéticas iranianas, segundo a Reuters. Uma fonte próxima dos Houthis afirmou que os preparativos para atacar a navegação estão concluídos, com mísseis e drones posicionados junto ao estreito de Bab El-Mandeb, a porta de entrada do Mar Vermelho. A mesma fonte disse que representantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irão já se encontram no Iémen e que controlariam a decisão sobre quando encerrar o estreito.
Os EUA intensificaram os ataques ao Irão pelo sexto dia consecutivo na sexta-feira, enquanto os media estatais iranianos afirmaram que uma nova vaga de ataques norte-americanos, no início de quinta-feira, atingiu pela primeira vez nesta fase áreas em redor de Teerão, além de outras províncias. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) disse que disparou contra um petroleiro que navegava em direcção à ilha de Kharg, o maior terminal de exportação de petróleo do Irão, usando um míssil Hellfire, depois de a embarcação ter ignorado vários avisos. A Tasnim noticiou explosões em Bandar Abbas, Qeshm e Ahvaz, e disse que a ponte Bandar Abbas-Khorstan-Lar foi atingida, com falhas de energia a afectarem Kahorstan; a Fars referiu fortes explosões ouvidas no Kuwait e também em Basra, enquanto o Ministério da Defesa do Qatar afirmou na sexta-feira que intercetou um ataque com mísseis.
—Implicações para o mercado de derivados e estratégias de volatilidade
Com a ameaça directa ao estreito de Bab El-Mandeb — que historicamente permite a passagem de quase 9 milhões de barris por dia de petróleo e produtos refinados — enfrentamos um choque de oferta sem precedentes. Nas próximas semanas, os traders de derivados devem preparar-se para oscilações extremas do mercado, com forte enfoque em estratégias long volatility. Recomendamos a compra de opções call fora do dinheiro (out-of-the-money) sobre o Brent, dado que o Cboe Crude Oil Volatility Index (OVX) historicamente dispara acima de 50 durante grandes escaladas no Médio Oriente, tornando a compra de prémio particularmente atractiva.
Disrupções no transporte marítimo e riscos para o abastecimento energético
O ataque a petroleiros e o potencial fecho da rota do Mar Vermelho obrigarão as frotas a contornar África, pelo Cabo da Boa Esperança, acrescentando até 14 dias aos tempos de trânsito. Esperamos que esta perturbação faça disparar os custos do transporte marítimo, à semelhança de crises regionais anteriores, em que as taxas de fretamento de petroleiros subiram mais de 150% em poucos dias. Para tirar partido desta restrição de capacidade, devemos estabelecer posições long em Forward Freight Agreements (FFAs), sobretudo para petroleiros Suezmax e VLCC.
À medida que os ataques militares dos EUA visam infraestruturas iranianas nas imediações da ilha de Kharg — que movimenta cerca de 90% das exportações de crude do Irão, estimadas em 1,5 milhões de barris por dia — o abastecimento regional fica em risco imediato. Aconselhamos a implementação de bull call spreads nos principais benchmarks globais de crude para cobertura contra um défice físico repentino no mercado. Além disso, devemos acompanhar de perto os crack spreads dos destilados médios, uma vez que qualquer escalada perto do Kuwait e do Qatar irá perturbar severamente a produção regional de refinação e desencadear uma subida nos derivados de gasóleo e combustível de aviação.
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