O ouro (XAU/USD) subiu ligeiramente, mas manteve-se logo abaixo dos 4.150 dólares durante a sessão europeia de terça-feira, ainda perto da queda de segunda-feira em direção aos 4.100 dólares, a zona mais baixa desde 4 de agosto. Uma postura “hawkish” da Reserva Federal tem apoiado o dólar norte-americano junto de máximos de dois meses e, a par de yields elevadas das obrigações dos EUA, tem limitado o potencial de subida do metal precioso. No início deste mês, a Fed avançou com uma subida de 25 pb, e membros influentes do FOMC sinalizaram a possibilidade de mais um aumento antes do final de 2026; a ferramenta FedWatch do CME Group aponta para uma probabilidade de 70% de uma mexida em outubro. Em separado, a pontuação FXS Speechtracker de Cook, da Fed, foi de 7/10 face a uma base de 6,9/10, enquanto o FXS Fed Sentiment Index recuou 0,63 para 146,89, ainda acima do nível neutro de 100.
O risco geopolítico continua em destaque após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter rejeitado uma proposta de paz do Irão e negado ter oferecido alívio de sanções ou a libertação de fundos congelados, mantendo o petróleo apoiado e reforçando preocupações com a inflação. As yields do Tesouro prolongaram a subida, com a bond a 30 anos no nível mais alto desde meados de maio de 2004, a 10 anos desde meados de junho de 2007 e a 2 anos desde maio de 2024. Os mercados acompanham também o índice de preços PCE e o PIB final do 2.º trimestre na quarta-feira, o ISM Manufacturing PMI na quinta-feira e o relatório do emprego (NFP) na sexta-feira. Do ponto de vista técnico, o ouro quebrou abaixo da EMA de 200 dias nos 4.310 dólares, com a retração de 61,8% nos 4.227 dólares como resistência acima; o MACD está em 26,21 e o RSI em 36,40. As resistências incluem 4.316, 4.406, 4.517 e 4.696 dólares, enquanto os suportes se situam em 4.099 e 3.937 dólares.
Perspetiva Técnica e Estratégias de Trading
Vemos o ouro com dificuldades em sustentar o nível dos 4.150 dólares, à medida que uma Reserva Federal “hawkish” e um dólar norte-americano dominante mantêm o metal precioso perto de mínimos de vários meses. Como o preço caiu abaixo da crítica Média Móvel Exponencial (EMA) de 200 dias nos 4.310 dólares, o percurso técnico de menor resistência continua a ser descendente. Sugerimos que os traders de derivados adiem compras de opções call até o ouro conseguir estabelecer uma base sólida acima do patamar dos 4.227 dólares.
As yields do Tesouro dos EUA estão a exercer uma pressão muito significativa, com a yield a 10 anos a oscilar perto de níveis não vistos desde o pico de junho de 2007, em torno de 5,3%. Este ambiente de yields elevadas aumenta de forma acentuada o custo de oportunidade de deter ativos sem rendimento, levando os investidores para a segurança do dólar. Para tirar partido desta tendência, recomendamos a utilização de estratégias baixistas com opções, como a compra de puts com alvo no suporte imediato dos 4.099 dólares.
Influências Geopolíticas e Económicas
Os riscos geopolíticos mantêm-se elevados após a rejeição da proposta de paz iraniana, o que tem sustentado os preços do crude e alimentado novos receios de inflação. Esta dinâmica reforça a postura agressiva do banco central, com a ferramenta FedWatch do CME a indicar uma probabilidade robusta de 70% de uma nova subida de taxas em outubro. Aconselhamos o recurso a estratégias de volatilidade longa, como straddles, para navegar as oscilações acentuadas de preço esperadas com estes desenvolvimentos globais em curso.
Uma agenda carregada de dados económicos dos EUA esta semana, incluindo o índice de preços PCE e o relatório Nonfarm Payrolls de sexta-feira, deverá ditar o próximo grande movimento do ouro. Se as métricas de inflação surpreenderem em alta, esperamos uma queda rápida em direção ao suporte técnico-chave de 3.937 dólares. Os traders de derivados devem manter tamanhos de posição reduzidos e parâmetros rigorosos de gestão de risco antes destas publicações de elevado impacto.
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