O EUR/USD negociou-se de forma lateral na Ásia, na terça-feira, mas manteve-se acima de 1,1400, permanecendo perto de um máximo de quase duas semanas registado na última quinta-feira. Um cessar-fogo de 60 dias entre os EUA e o Irão pareceu sob pressão, à medida que as tensões aumentaram no Estreito de Ormuz, depois de uma agência marítima ter referido que um petroleiro foi atingido por um projétil não identificado enquanto atravessava a via marítima. Este novo risco geopolítico deu algum suporte ao dólar norte-americano (USD), criando um vento contrário para o par.
Ao mesmo tempo, a recente queda do crude aliviou as preocupações com a inflação e reduziu a pressão para um aperto agressivo, enquanto números mais fracos do emprego nos EUA, divulgados na última quinta-feira, moderaram as expectativas de subidas de taxas por parte da Reserva Federal (Fed), limitando a continuação dos ganhos do USD. Do lado europeu, a precificação de subidas de taxas do Banco Central Europeu (BCE) arrefeceu após uma queda inesperada da inflação na Zona Euro, deixando a moeda única sem um catalisador claro. Os traders continuaram a acompanhar se o EUR/USD consegue consolidar o suporte em torno de 1,1325, o nível mais baixo desde maio de 2025, atingido em junho. Em separado, o euro é utilizado por 20 países da UE e, em 2022, representou 31% do volume global de negociação em FX, com uma média superior a 2,2 biliões de dólares por dia; o EUR/USD representa cerca de 30% de todas as transações, face a 4% do EUR/JPY, 3% do EUR/GBP e 2% do EUR/AUD. O BCE reúne oito vezes por ano e tem como objetivo uma inflação de 2%.
—Evolução de Preços em Consolidação e Drivers Macroeconómicos
Vemos o par EUR/USD preso numa fase de consolidação, mantendo-se ligeiramente acima do nível de 1,1400. O relatório fraco do emprego nos EUA da semana passada, que mostrou apenas 155.000 postos de trabalho criados em junho face a uma previsão de 210.000, travou a força do dólar. No entanto, com a inflação da Zona Euro a recuar inesperadamente para 1,9% na mais recente estimativa “flash”, as expectativas de subidas de taxas por parte do BCE também estão a desvanecer-se, limitando a margem de subida do euro.
Os riscos geopolíticos associados ao Estreito de Ormuz estão a estabelecer um “piso” para o dólar e a funcionar como vento contrário para o par. O incidente recente envolvendo um petroleiro mantém as tensões elevadas, tornando posições longas em dólares uma cobertura popular contra escaladas súbitas. Para traders de derivados, isto sugere que comprar opções de compra (calls) de USD de curto prazo ou opções de venda (puts) sobre o EUR pode ser uma estratégia prudente para proteger contra uma mudança súbita para “risk-off”.
—Estratégias de Trading em Ambiente de Incerteza Geopolítica e Económica
Por outro lado, a descida dos preços do crude, com o Brent agora a negociar perto de 72 dólares por barril, está a aliviar os receios de inflação a nível global e a moderar a necessidade de uma atuação agressiva dos bancos centrais. O mercado está a reduzir as apostas em subidas de taxas pela Reserva Federal, o que limita o dólar. Devemos, por isso, monitorizar a volatilidade implícita; uma queda sustentada poderá sinalizar complacência e oferecer uma oportunidade para comprar calls baratas visando níveis acima dos máximos recentes.
Perante estes sinais contraditórios, acreditamos que o par continuará encaixado num intervalo no curto prazo, provavelmente entre o mínimo de junho em 1,1325 e o máximo recente. Este ambiente é ideal para estratégias que beneficiam de baixa volatilidade ou de uma rutura significativa, como vender iron condors ou comprar strangles. Uma quebra decisiva e fecho acima do máximo das últimas duas semanas ou abaixo de 1,1350 seria o gatilho necessário para estabelecermos uma posição mais direcional.
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