O Banco da Coreia revelou, num registo junto da U.S. Securities and Exchange Commission, que comprou 679.765 unidades do ETF SPDR Gold Trust no segundo trimestre, com a posição avaliada em 354,5 mil milhões de won (250,41 milhões de dólares) no final de Junho. O SPDR é o maior fundo do mundo indexado ao ouro e armazena lingotes em Nova Iorque e em Londres, mas a detenção via ETF significa possuir unidades e não metal físico, e a cotação pode divergir do preço do bullion devido ao funcionamento do fundo. O artigo descreve ainda o risco de contraparte como a possibilidade de a outra parte de uma transacção não cumprir as suas obrigações, e defende que os ETF podem acrescentar riscos operacionais, de custódia e de acesso.
Em separado, a Coreia do Sul delineou um enquadramento para comprar ouro produzido internamente a preços spot internacionais, com a Korea Exchange e a Korea Securities Depository a facilitarem as transacções e a LS MnM, juntamente com a Korea Zinc, a fornecerem metal elegível. Estes produtores geram 4 a 5 toneladas por ano, e responsáveis dizem que o banco central comprará parte da produção quando as condições de mercado e de gestão de reservas forem favoráveis. O esquema permite liquidação em won, armazenamento na Coreia do Sul, e surge numa altura em que o país detém pouco mais de 104 toneladas de ouro — cerca de 1,1% do total das reservas —, sendo que o último aumento das reservas ocorreu há 13 anos, com a maior parte das posições guardadas em cofres de Londres.
Mudanças dos Bancos Centrais e Procura de Ouro Físico
Estamos a assistir a uma mudança significativa na forma como os bancos centrais abordam o mercado do ouro, evidenciada pela compra, por parte do Banco da Coreia, de mais de 679 mil unidades do SPDR Gold Trust. Embora esta aquisição de “ouro em papel” ofereça liquidez no curto prazo, o plano declarado do banco central de transitar para ouro físico doméstico sublinha uma desconfiança crescente face a activos em papel. Isto está em linha com uma tendência global mais ampla, na qual os bancos centrais têm comprado de forma consistente mais de 1.000 toneladas de ouro físico por ano como cobertura contra a instabilidade orçamental.
Para os operadores de derivados, esta migração iminente de proxies em papel para metal físico cria oportunidades de negociação específicas nas próximas semanas. Esperamos que o prémio do ouro físico face aos derivados em papel aumente à medida que compradores soberanos passem a exigir entrega física em vez de liquidações em numerário. Os traders devem preparar-se para explorar oportunidades de arbitragem entre contratos de futuros de ouro e preços spot do ouro físico à medida que esta mudança estrutural acelera.
Estratégias de Negociação em Contexto de Maior Volatilidade do Ouro
Com os preços globais do ouro a manterem um forte impulso acima de 2.500 dólares por onça, a procura subjacente é fortemente sustentada por balanços soberanos. Dados recentes de mercado mostram que as compras dos bancos centrais continuam a representar uma fatia muito significativa da procura global de ouro, alimentando uma pressão ascendente persistente. Sugerimos um posicionamento para um aumento da volatilidade nas opções sobre ouro, privilegiando opções de compra (calls) de longo prazo para captar esta acumulação soberana contínua.
Os riscos inerentes de contraparte dos ETF “em papel” fazem com que a confiança institucional nestes instrumentos seja altamente vulnerável a choques geopolíticos. Uma corrida súbita por parte de grandes instituições para converter posições em papel em ouro físico poderia desencadear um aperto de liquidez no mercado de futuros. Aconselhamos os traders a protegerem as suas posições através de estratégias com spreads de opções que cubram o risco de subidas abruptas na procura de entrega física.
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